Não fiquei contente com os resultados eleitorais porque já esperava o que está a acontecer.
O Costa avisou ao que vinha. Na campanha já falava em possível coligação de derrotados, nem que para formar governo tivesse de aliar-se à extrema-esquerda. Ver agora pessoas do PS muito assustadas com o que daí vem, deixa-me completamente desanimada. Não foi sem aviso. Se não concordam e votaram no PS sabendo o que podia vir, a culpa é vossa. Inteiramente vossa.
Obviamente que a esquerda radical está nas nuvens. Nunca foi democrática, e "ganhar" eleições na secretaria para eles é mais que suficiente.
Não sei até que ponto, constitucionalmente, se pode formar governo assim. Não sei até que ponto se poderá afirmar que pegar em três derrotados e dar-lhes o governo não vai contra "os resultados eleitorais", previstos na Constituição. Mas assumindo que é, de facto, possível e que o Presidente o faz (ou é forçado a fazê-lo), que futuro acham que tem o país?
Com Costa como Primeiro-Ministro com boa parte dos socialistas contra ele, e o orgasmo colectivo da extrema-esquerda que se estará a borrifar para a democracia. Depois chegarão as exigências. Saída do Euro. Saída da Nato. Nacionalização da Banca, etc. Tudo coisas que o PS, até agora, não defende. Como se resolverá? Falhando, iremos para eleições antecipadas e acham mesmo que o PS sobreviverá a umas depois deste cenário?
Entretanto, passará tempo suficiente para acabar com a confiança dos investidores, aumentar a despesa, aumentar a dívida. Quando voltar o governo de direita teremos de passar pela austeridade da qual já nos tínhamos livrado. Porque a austeridade, ao contrário do que muitos pensam, não é uma opção política, não é algo que se "defende". É uma inevitabilidade após políticas irresponsáveis de gasto público excessivo, de aumento de dívida irresponsável. Mas, sabem que mais? Mesmo que agora seja o governo minoritário de direita a tomar posse, o resultado não será muito diferente deste. O mal foi feito no dia 4 de Outubro quando os portugueses não perceberam (e talvez ainda não percebam) que as opções viáveis são muito poucas. Agora é esperar que se resolva o mais depressa possível para sofrermos um pouco menos.
"Explain again how sheep's bladders may be employed to prevent earthquakes."
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sexta-feira, outubro 09, 2015
sexta-feira, maio 29, 2015
É isto...
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sábado, abril 25, 2015
25 de Abril, Sempre!?
O país está com uma crise profunda (financeira, mas, acima de tudo, de valores) temos de entender que milagres não existem e depende do esforço de todos sair dela... Por vezes penso que os portugueses em geral só querem direitos sem terem deveres. Querem salário sem trabalho e, se um patrão (seja ele o estado ou um particular) os obriga a trabalhar aquelas horas para receber aquele dinheiro, dizem-se explorados. Falta consciência global e sentido de realidade aos portugueses... é neste ponto que culpo a esquerda que temos (que é a do discurso do 25 de Abril), aquela que deu "a terra a quem a trabalha" e que levou herdades à falência porque quem trabalha, tem mesmo de trabalhar... Enquanto não entendermos que existem fortunas dignas, que existem ricos que criam trabalho e geram riqueza para todo o país e que não são o inimigo, enquanto não conseguirmos distinguir os honestos (sejam ricos ou pobres) dos desonestos (sejam ricos ou pobres) e andarmos a juntar tudo no mesmo saco, não vamos a lado nenhum. Há muitos portugueses extremistas (não tanto nos partidos em que votam, mas no discurso que têm). Para quem é tudo ou nada. Ter direitos mas não sem ter de ter obrigações. "Ele" se é rico é porque roubou para ser e não porque trabalhou (ou alguém da sua família o fez) para ele o ser. "Ele" se é pobre é porque é explorado e não porque não quer trabalhar. Somos uma sociedade cheia de preconceitos... as pessoas são pessoas. Os países são países e precisam de todas as pessoas para sobreviver. Empreendedores para criar mais riqueza e postos de trabalho e outros empreendedores para trabalhar e tentar melhorar a sua vida e a vida das gerações futuras da sua família.
Temos de deixar de viver em sonhos irreais trazidos pelo 25 de Abril que nos transmitia a ideia que não era preciso trabalhar para ter. É! É preciso trabalhar. Temos todos de trabalhar para ter, e temos de trabalhar muito! Não podemos continuar neste roubo permanente, nesta inveja sofrida de querer o que pensamos que o outro tem, de achar que o que o outro tem lhe caiu de graça do céu e de querer roubar toda a gente porque os consideramos desmerecedores do que conseguiram e porque nos consideramos no direito de ter, sem nos esforçarmos para tal.
Portugal é hoje o país do desleixo e dos desleixados. Deixámos de conseguir “desenrascar” para passar a, simplesmente, exigir. Não foram só os políticos sozinhos que destruíram o país, fomos todos nós. Nós que votamos naqueles que desbaratam a riqueza do país para obedecerem aos nossos caprichos de votantes. Nós que não queremos acreditar em quem nos diz a verdade e preferimos votar naqueles que nos mentem. Nós que continuamos a apontar o dedo a tudo e a todos sem perceber que no nosso dedo, na nossa mão, está o poder democrático de punir os culpados por, simplesmente, não votar neles. Nós que continuamos a gritar “25 de Abril, Sempre!”, sem percebermos que o país tem de evoluir, tem de sair da festa, tem de libertar-se muito mais do que faz com um simples “slogan” e um cravo na mão.
Paremos de gritar, paremos de apontar o dedo... é tempo de reflectir e de percebermos o que, cada um de nós, pode fazer para mudar isto.
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sexta-feira, abril 24, 2015
"Liberdade significa responsabilidade, por isso tanta gente tem medo dela"
Nasci pouco depois do 25 de Abril. Ainda bem. Não gostava de ter nascido antes. Não gostava de viver num país onde tinha medo de abrir a boca. Não gostava de viver num país onde a minha personalidade liberal me levaria à cadeia. Não gostava de viver num país onde as mulheres eram cidadãos de terceira e os homens de segunda. Não gostava de viver num país sem direito de voto ou de opinião. Não gostava de viver num estado anti-liberal e anti-democrático.
A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. - Winston Churcill
O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade de expressão e de voto, valores dos quais não abdico, mas não nos trouxe a liberdade económica nem a liberdade individual. Se antes o Estado era dono do que dizíamos e de todas as decisões, agora o Estado é, dissimuladamente, dono de nós, só não é dono do que dizemos e do que pensamos. Tudo o que "temos" não é nosso, é do Estado, numa dimensão muito superior ao que já acontecia durante o salazarismo. Sobre tudo pagamos imposto numa tentativa ridícula e vã de "igualdade".
Liberdade, Igualdade, Fraternidade... São os valores de Abril, princípios "roubados" à revolução francesa e os que nos têm levado a tomar, umas atrás das outras, decisões que nunca nos irão tornar iguais, que nos tornam cada vez mais egoístas e menos fraternos e, inevitavelmente, nos roubam a liberdade.
Não pode existir liberdade sem existir liberdade económica - Margaret Thatcher.
É este princípio que tem sido negado desde sempre, no nosso país. Não a havia durante a ditadura anti-liberal, não há agora neste período onde a palavra "liberdade" assusta aqueles que se afirmam democratas.
Com o salazarismo havia proteccionismo. O Estado protegia-nos do estrangeiro, protegia o que era nacional, e "protegia-nos" de termos de pensar. Agora há proteccionismo porque o Estado nos protege de nós mesmos, quer queiramos quer não, roubando o nosso poder de decisão e roubando-nos as consequências daquilo que gostaríamos de decidir e não podemos.
Fizemos uma revolução e desenvolvemos o país mais rapidamente (com dinheiro que não era nosso, caso contrário teríamos de demorar mais), deixámos as pessoas falarem e escreverem e andarem livremente na rua. Demos o direito à greve e à manifestação. E tentámos desenvolver, ainda mais, as infraestruturas que já não precisávamos de desenvolver. Ficámos dependentes do emprego estatal, do subsídio estatal, da obra pública. Passámos a sentir que tínhamos o "direito adquirido". Adquirido, nem sabemos como, ou porquê, mas dizemos que sim, que foi para isso que "lutámos" e "derrubámos" barreiras. E um dos direitos que adquirimos foi o direito de ter direitos sem deveres. Fomos 3 vezes à pré-bancarrota. Estivemos 3 vezes sob intervenção externa.
Alcançámos muitas coisas com o 25 de Abril. O direito à educação gratuita, à saúde gratuita, ao voto, à greve, à manifestação. A protecção laboral. Temos uma das constituições que mais direitos garante... mas não alcançámos uma mudança de mentalidade que muito necessitávamos. Não perdemos o medo da liberdade, nem sabemos a definição da mesma ou de ser democrata e justo. Achamos que ser livre é ter direitos quando ser livre é exactamente o contrário, ser livre é ter responsabilidades e enfrentar as consequências do que decidimos livremente. Ser livre é não ter uma rede que nos segura a queda, mas que também nos impede o voo. Liberdade é algo muito diferente daquilo que os "abrilistas" apregoam. Liberdade é não roubar os outros porque nos achamos no "direito" de ter tanto quanto eles. Liberdade é, como disse Margaret Thatcher, o direito do homem de trabalhar de acordo com a sua vontade, de gastar aquilo que ganha, de ser proprietário, de ter o Estado como seu servidor e não como seu dono. Esta é a essência da liberdade, da livre economia "e todas as outras liberdades dependem desta". Só compreendendo isto poderemos fazer "cumprir os valores de Abril".
Liberdade significa responsabilidade, por isso tanta gente tem medo dela. - George Bernard Shaw
A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. - Winston Churcill
O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade de expressão e de voto, valores dos quais não abdico, mas não nos trouxe a liberdade económica nem a liberdade individual. Se antes o Estado era dono do que dizíamos e de todas as decisões, agora o Estado é, dissimuladamente, dono de nós, só não é dono do que dizemos e do que pensamos. Tudo o que "temos" não é nosso, é do Estado, numa dimensão muito superior ao que já acontecia durante o salazarismo. Sobre tudo pagamos imposto numa tentativa ridícula e vã de "igualdade".
Liberdade, Igualdade, Fraternidade... São os valores de Abril, princípios "roubados" à revolução francesa e os que nos têm levado a tomar, umas atrás das outras, decisões que nunca nos irão tornar iguais, que nos tornam cada vez mais egoístas e menos fraternos e, inevitavelmente, nos roubam a liberdade.
Não pode existir liberdade sem existir liberdade económica - Margaret Thatcher.
É este princípio que tem sido negado desde sempre, no nosso país. Não a havia durante a ditadura anti-liberal, não há agora neste período onde a palavra "liberdade" assusta aqueles que se afirmam democratas.
Com o salazarismo havia proteccionismo. O Estado protegia-nos do estrangeiro, protegia o que era nacional, e "protegia-nos" de termos de pensar. Agora há proteccionismo porque o Estado nos protege de nós mesmos, quer queiramos quer não, roubando o nosso poder de decisão e roubando-nos as consequências daquilo que gostaríamos de decidir e não podemos.
Fizemos uma revolução e desenvolvemos o país mais rapidamente (com dinheiro que não era nosso, caso contrário teríamos de demorar mais), deixámos as pessoas falarem e escreverem e andarem livremente na rua. Demos o direito à greve e à manifestação. E tentámos desenvolver, ainda mais, as infraestruturas que já não precisávamos de desenvolver. Ficámos dependentes do emprego estatal, do subsídio estatal, da obra pública. Passámos a sentir que tínhamos o "direito adquirido". Adquirido, nem sabemos como, ou porquê, mas dizemos que sim, que foi para isso que "lutámos" e "derrubámos" barreiras. E um dos direitos que adquirimos foi o direito de ter direitos sem deveres. Fomos 3 vezes à pré-bancarrota. Estivemos 3 vezes sob intervenção externa.
Alcançámos muitas coisas com o 25 de Abril. O direito à educação gratuita, à saúde gratuita, ao voto, à greve, à manifestação. A protecção laboral. Temos uma das constituições que mais direitos garante... mas não alcançámos uma mudança de mentalidade que muito necessitávamos. Não perdemos o medo da liberdade, nem sabemos a definição da mesma ou de ser democrata e justo. Achamos que ser livre é ter direitos quando ser livre é exactamente o contrário, ser livre é ter responsabilidades e enfrentar as consequências do que decidimos livremente. Ser livre é não ter uma rede que nos segura a queda, mas que também nos impede o voo. Liberdade é algo muito diferente daquilo que os "abrilistas" apregoam. Liberdade é não roubar os outros porque nos achamos no "direito" de ter tanto quanto eles. Liberdade é, como disse Margaret Thatcher, o direito do homem de trabalhar de acordo com a sua vontade, de gastar aquilo que ganha, de ser proprietário, de ter o Estado como seu servidor e não como seu dono. Esta é a essência da liberdade, da livre economia "e todas as outras liberdades dependem desta". Só compreendendo isto poderemos fazer "cumprir os valores de Abril".
Liberdade significa responsabilidade, por isso tanta gente tem medo dela. - George Bernard Shaw
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quinta-feira, abril 23, 2015
"O 25 de Abril e a História" - António José Saraiva - Publicado em 1979
"Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.
Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.
Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.
Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e
africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte de África na zona soviética.
O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tropas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.
Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.
Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.
Quanto ao terror policial, estabeleceu--se uma confusão total.
Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.
Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.
Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou--se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pêlos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.
Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou--se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente."
António José Saraiva
quarta-feira, abril 22, 2015
Relatos do 25 de Abril
No médico depois de perceber eu tinha "nascido com o 25 de Abril", o Dr. afirma: "mas sabe, isto agora acho que está pior. Na altura eu estava na faculdade pensávamos que ia melhorar, mas dantes sabíamos o que tínhamos e com o que podíamos contar. Era pouco, mas era nosso, do nosso esforço. Agora já não sabemos nada. As pessoas habituaram-se a uma vida com um dinheiro que o país não pode dar, a viver com dinheiro emprestado. Não se ia ao café como se vai hoje em dia, nem havia tantos cafés, havia umas tascas e era só. Mas sabíamos com o que contar".
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quarta-feira, abril 15, 2015
Mário Soares, por anónimo
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
por anónimo
Eis parte do enigma:
Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers".
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda
campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola , ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles , esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da República Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível: ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares (seu filho).
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar José Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai... e não volta mais."
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quarta-feira, abril 01, 2015
PCP não aceita os resultados democráticos num país onde continua a achar que "ganha nas ruas".
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| Menino PCP a fazer birra por não aceitar os resultados oficias das eleições |
PCP exige a recontagem de todos os votos e vai recorrer ao Constitucional
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sábado, março 21, 2015
Liberdade de expressão, república e Monarquia
"Historicamente a república tem vindo a criar problemas à liberdade de expressão. Senão Vejamos:Na república inúmeros jornais foram proibidos, 'empastelados', assaltados. Até jornalistas e ardinas foram presos.Na II república a censura prévia foi oficializada.Na III república apenas um exemplo paradigmático: o "caso TVI".Sobre a Monarquia Constitucional 'oiçamos' Eça de Queiroz nas "Farpas", fascículos mensais cujo lema era 'para baixo': Jornal de luta cruel, incisivo, cortante e sobretudo jornal revolucionário". Não houve qualquer censura ou apreensão. Estávamos em 1871. Concluindo com Eça de Queiroz, agora através de Fradique Mendes: "É preciso ver a 'real realidade das coisas'"
Clara Constanço Stichaner
domingo, fevereiro 08, 2015
O Príncipe assassinado por Ana Vicente e António Pedro Vicente
O auto de nascimento regista o dia 21 de Março de 1887 como aquele em que foi dado à luz, no Palácio de Belém, em Lisboa, o primeiro filho de Dona Amélia, Duquesa de Bragança e futura Rainha de Portugal. Seu pai, o Duque de Bragança, subiria ao trono com o título de Rei Dom Carlos. O nome completo do Príncipe da Beira, título atribuído ao filho primogénito, era Luiz Filipe Maria Carlos Amelio Fernando Victor Manoel António Lourenço Miguel Raphael Gabriel Xavier Francisco d’Assis Bento de Bragança, Orleans, Saboya e Saxe Coburgo Gotha. Todas as fontes indicam que a atitude da então Princesa Amélia, face aos seus filhos (Dom Manuel nasceria em 1889) era sempre extremamente atenciosa e carinhosa. Foi, sem dúvida, uma mãe que desfrutava a função maternal com grande prazer e que se ocupava muito directamente dos seus filhos, quer na primeira infância quer durante os anos da adolescência, desejando que em adultos fosses apreciados pelo seu carácter e não pelo seu nascimento. Garantiu assim a ambos um desenvolvimento emocional equilibrado. Escrevendo a sua irmã que se encontrava em Paris, Dona Amélia descreveu o seu bebé como sendo ‘um amor’ e muito inteligente.
A educação do Príncipe Real foi muito cuidadosa e nela se empenhou D. Amélia no quotidiano. Segundo um servidor do paço, citado pela revista Brasil-Portugal, a Rainha queria que seus filhos se levantassem às 6. Os seus preceptores, todos do sexo masculino, deslocavam-se ao Palácio para aí instruírem os ilustres alunos. Os príncipes estudavam até ao meio dia, almoçavam, recebiam de novo os seus professores e cerca das 15 horas saíam em passeio, geralmente a pé. Ao fim da tarde faziam os deveres escolares e jantavam por volta das 19.30.
A partir dos 13 anos de idade, o principal educador de Dom Luiz Filipe foi Mouzinho de Albuquerque, uma figura militar lendária, algo exaltada, com uma perspectiva muito pessimista da situação política que o país vivia. Numa carta aberta dirigida ao seu pupilo declarava que entendia como seu principal dever fazer dele um soldado. Em 1901 Mouzinho acompanhou o Príncipe a visitar o norte do país, com o intuito declarado de o levar a conhecer o seu povo. O escritor Rocha Martins, no seu estilo exuberante, refere assim o herdeiro: “um gentil adolescente, branco, mimoso, de cabelo cortado à militar, sorridente e tomado de todas as curiosidades” e que teria sido acolhido com o maior carinho no Porto, passando por Leixões. Deslocou-se ainda a Vila Nova de Gaia, Viana do Castelo, Penafiel, Grijó, Granja, Braga (incluindo o Bom Jesus), Ponte de Lima, Ponte da Barca, Monção e Caminha. A visita foi muito comentada e também criticada em alguma imprensa, pois os jornais republicanos, que tinham toda a liberdade em escreverem o que bem entendessem, encontravam defeito em toda e qualquer actividade realizada pelos membros da família real, realizando assim uma propaganda persistente e permanente que acirrava a opinião pública contra o regime monárquico.
Durante a adolescência, o Príncipe esteve, em várias ocasiões, integrado nas visitas oficiais que diversos monarcas ou dignitários estrangeiros realizaram a Portugal. Eduardo VII de Inglaterra visitou Portugal em Abril de 1902, Afonso XIII de Espanha em 1903, o Presidente da República francês Loubet e a Rainha Alexandra de Inglaterra estiveram no país em 1905. Nesse mesmo ano o imperador da Alemanha Guilherme II passou por Lisboa, em visita privada. Em 1902 Dom Luiz Filipe foi a Londres para representar seu pai na coroação do Rei Eduardo VII, mas esta foi adiada devido a doença do monarca. Também esteve em Madrid em 1906 para assistir ao casamento do Rei D. Afonso XIII com a princesa Victoria de Battenberg,que ficou marcado pelo violento atentado à bomba contra os noivos, por parte de um anarquista. Morreram 20 pessoas e houve cerca de 100 feridos.
O Príncipe Real prestou juramento à constituição política em 20 de Maio de 1901, em conformidade com a Carta Constitucional. Entre Fevereiro e Maio de 1903 a Rainha D. Amélia achou por bem levar os filhos a fazer um cruzeiro no Mediterrâneo, não só pelo prazer da viagem mas também com intuitos educativos. Dom Luiz Filipe tinha sempre a sua máquina fotográfica à mão e os clichés foram colados num Álbum, relatando esta feliz excursão. O iate Amélia tocou em Cádis, Gibraltar, Oran, Argel, Tunis, Malta, Alexandria. Também visitaram o Cairo e Jerusalém e diversos portos de Itália.
O evento político de maior destaque protagonizado pelo Príncipe foi a viagem que empreendeu a África entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907. Visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul (estas últimas para fomentar as boas relações com a velha aliada) e já no regresso, Cabo Verde. Esta viagem ocorreu num momento particularmente significativo das querelas internacionais que, anos antes, tinham eclodido, relacionadas com a tutela portuguesa no imenso território de uma África então cobiçada e considerada necessária ao progresso europeu. Era ainda necessário refutar as acusações de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e em Angola, as quais, segundo o governo português, eram motivadas por rivalidades comerciais. Até aquela data jamais algum membro da família real se tinha deslocado às colónias portuguesas em África.
A imprensa republicana foi muito crítica face a esta viagem, enquanto outros periódicos favoráveis à dinastia dos Braganças, davam conta de todos os pormenores das visitas, sublinhando a autenticidade do caracter do Príncipe e a boa recepção de que era alvo em todo o lado. Evidentemente que os muitos problemas que existiam nos territórios que à data se apelidavam quer de ‘Colónias’ quer de ‘Ultramar’, foram de alguma forma torneados ou ignorados publicamente. Por exemplo, na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada, tinha rebentado uma revolta grave pelo que o África, nome do navio que transportava a delegação oficial, não se deslocou aí. Também havia revoltas no sul de Angola, que preocupavam o governo.
O regresso foi de novo comentado sob dois pontos de vista opostos. Com virulência da parte dos republicanos e com palavras de admiração da parte dos monárquicos.
O Príncipe Real prestou juramento à constituição política em 20 de Maio de 1901, em conformidade com a Carta Constitucional. Entre Fevereiro e Maio de 1903 a Rainha D. Amélia achou por bem levar os filhos a fazer um cruzeiro no Mediterrâneo, não só pelo prazer da viagem mas também com intuitos educativos. Dom Luiz Filipe tinha sempre a sua máquina fotográfica à mão e os clichés foram colados num Álbum, relatando esta feliz excursão. O iate Amélia tocou em Cádis, Gibraltar, Oran, Argel, Tunis, Malta, Alexandria. Também visitaram o Cairo e Jerusalém e diversos portos de Itália.
O evento político de maior destaque protagonizado pelo Príncipe foi a viagem que empreendeu a África entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907. Visitou S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, as colónias inglesas da Rodésia e da África do Sul (estas últimas para fomentar as boas relações com a velha aliada) e já no regresso, Cabo Verde. Esta viagem ocorreu num momento particularmente significativo das querelas internacionais que, anos antes, tinham eclodido, relacionadas com a tutela portuguesa no imenso território de uma África então cobiçada e considerada necessária ao progresso europeu. Era ainda necessário refutar as acusações de esclavagismo em S. Tomé e Príncipe e em Angola, as quais, segundo o governo português, eram motivadas por rivalidades comerciais. Até aquela data jamais algum membro da família real se tinha deslocado às colónias portuguesas em África.
A imprensa republicana foi muito crítica face a esta viagem, enquanto outros periódicos favoráveis à dinastia dos Braganças, davam conta de todos os pormenores das visitas, sublinhando a autenticidade do caracter do Príncipe e a boa recepção de que era alvo em todo o lado. Evidentemente que os muitos problemas que existiam nos territórios que à data se apelidavam quer de ‘Colónias’ quer de ‘Ultramar’, foram de alguma forma torneados ou ignorados publicamente. Por exemplo, na ilha do Príncipe, poucos dias antes da chegada, tinha rebentado uma revolta grave pelo que o África, nome do navio que transportava a delegação oficial, não se deslocou aí. Também havia revoltas no sul de Angola, que preocupavam o governo.
O regresso foi de novo comentado sob dois pontos de vista opostos. Com virulência da parte dos republicanos e com palavras de admiração da parte dos monárquicos.
Poucos meses depois, a 1 de Fevereiro de 1908, Dom Luiz Filipe era assassinado, juntamente com seu pai, o Rei D. Carlos, no Terreiro do Paço, em Lisboa, na carruagem em que seguia juntamente com sua mãe, a Rainha D. Amélia e seu irmão, Dom Manuel. Este descreveu a cena num relato doloroso e detalhado de que se citam as seguintes palavras: “Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem, percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou. Só Deus, minha Mãe e eu sabemos; porque mesmo o meu querido e chorado Irmão presenceou poucos segundos, porque instantes depois também era varado pelas balas. Que saudades meu Deus!”
Qualquer acto deste cariz violento poderá ter muitas explicações mas jamais qualquer justificação. Os traços de carácter e a cuidadosa educação que tinha desfrutado, permitem sugerir que o Príncipe Real, Dom Luiz Filipe de Bragança, poderia ter vindo a servir o país de forma hábil e correcta, modernizando as instituições e o estilo da monarquia.
A instabilidade política, a não realização das grandes esperanças depositadas no regime republicano, que se instaurou em 5 de Outubro de 1910, levou, por sua vez, à implantação de uma Ditadura que perdurou 48 anos.
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sexta-feira, janeiro 30, 2015
Passos rejeita ser responsabilizado se "algum desastre" acontecer à Grécia
Passos rejeita ser responsabilizado se "algum desastre" acontecer à Grécia - JN: "O primeiro-ministro afirmou que o Governo português está disponível para "ajudar a Grécia a prosseguir um caminho que lhe permita reestabelecer os seus equilíbrios e crescer" e considerou que os gregos "merecem o melhor resultado", reiterando: "Mas não aceito que se venha dizer que, se alguma coisa não correr bem na Grécia, é porque os governos europeus ou a Comissão Europeia não aceitam as propostas do Governo grego".
"Porque, se a noção de responsabilidade for essa, então fazemos todos aquilo que queremos e aquilo que nos apetece e depois esperamos que alguém pague as nossas escolhas. Nós somos livres para escolher como queremos, e somos adultos para escolher também as consequências das responsabilidades das nossas decisões"[...] "a Grécia tem hoje mais tempo para pagar a sua dívida" do que Portugal e a Irlanda, "tem carência de pagamento de juros durante dez anos, só os vai pagar a partir de 2022" e "teve também perdão de juros".[...]"E eu respeito as decisões do povo grego, como respeitarei as decisões do Governo grego, como eu espero que na Grécia se respeite as decisões do Governo português e do povo português. Não há uma forma mais solidária nem menos solidária. É assim""
"Porque, se a noção de responsabilidade for essa, então fazemos todos aquilo que queremos e aquilo que nos apetece e depois esperamos que alguém pague as nossas escolhas. Nós somos livres para escolher como queremos, e somos adultos para escolher também as consequências das responsabilidades das nossas decisões"[...] "a Grécia tem hoje mais tempo para pagar a sua dívida" do que Portugal e a Irlanda, "tem carência de pagamento de juros durante dez anos, só os vai pagar a partir de 2022" e "teve também perdão de juros".[...]"E eu respeito as decisões do povo grego, como respeitarei as decisões do Governo grego, como eu espero que na Grécia se respeite as decisões do Governo português e do povo português. Não há uma forma mais solidária nem menos solidária. É assim""
domingo, janeiro 18, 2015
República ou Monarquia? - Cada país sua sentença.
Se me perguntarem se, teoricamente, eu acho que é mais justo votar-se em alguém do que ver alguém aclamado? Acho que é muito mais justo votar! Sem dúvida!
Na teoria a república é mais justa e mais democrática que a monarquia e, creio, a grande maioria dos defensores da república agarram-se a essa ideia teórica. Mas, se nos agarrarmos a ideias teóricas, também temos de dizer que o comunismo é uma ideia fantástica e muito mais democrática que todas as outras ideologias políticas. E é, teoricamente é. A ideia de uma sociedade igualitária, sem classes, na qual cada um trabalha, igualmente, para o bem comum, é uma ideia linda! Mas não funciona. A URSS, Cuba, China são bons exemplos da falta de democracia, da opressão, pobreza e violência (física e psicológica) a que os povos estão sujeitos na busca da “perfeição democrática” dos seus ditadores comunistas.
Ao contrário do comunismo, no entanto, a república não é um caso de tão grave falhanço, provas disso são repúblicas como a Finlândia ou a Alemanha que funcionam lindamente. Ou os Estados Unidos que, mesmo com falhas, têm o regime que ao seu povo se adequa. E é nesta adequação do povo que está a chave do sucesso. Cada povo, seu regime. Cada povo sua história.
Se me perguntarem se, teoricamente, eu acho que é mais justo votar-se em alguém do que ver alguém aclamado? Acho que é muito mais justo votar! Sem dúvida! Mas, em Portugal, não funciona na prática. É muito bonito, é uma ideia fantástica, mas não já provou, bem provado, que, no nosso cantinho à beira mar, não funciona!
Então, qual a solução? A questão de os monárquicos mencionarem a monarquia como solução está no facto de 100 anos de república (com 3 repúblicas distintas) já provaram que, a república, não funciona. E, se nos dermos ao trabalho de ler livros (não escolares) da história de Portugal, apercebemo-nos que, durante a monarquia constitucional, Portugal, mesmo estando numa crise devido a uma série de factores externos e internos (interno esse sendo o facto de sermos constitucional há pouco tempo) estava a crescer. Portugal estava na média da Europa e a crescer, a nível financeiro e democrático e continuava português. Seguia uma governação que era a nossa identidade, e não uma, como agora, que se identifica com os franceses e não com os portugueses. Veio a 1ª República e começámos numa decadência brutal a todos os níveis (democráticos, de valores, financeiro). A 2ª república levantou-nos a nível financeiro e recuperou alguns valores, mas democraticamente batemos no fundo e em termos de patriotismo foi-se perdendo mais. A 3ª república é uma podridão! Fora o "sufrágio universal", que por si só não constrói a democracia, e ao qual as pessoas nem ligam por aí além, basta ver os números da abstenção, não temos mais nada. Financeiramente estamos na cauda da Europa, democraticamente também, a nível de valores nem falar, a nível de patriotismo só piora. Foi aqui que chegámos em 100 anos. Desculpabilizar a república é atirar areia para os olhos, negar o nosso passado e permanecer no erro.
Se a monarquia é perfeita? Não! Claro que não é. E não irão ouvir nenhum monárquico, minimamente Realista, a afirmar o contrário. No entanto, segundo o índice de países com melhores níveis democráticos, social e de estabilidade, os 2 primeiros são monarquias e nos 10 primeiros, 6 deles são monarquias. Claro que também os há com falhas, mas se formos comparar com a república, esta última perde e em muito (e se comparássemos a nível percentual então a diferença era ainda mais brutal, pois existem muito mais repúblicas que monarquias). Mas cada país sua sentença. Jamais eu diria que a monarquia funcionaria, por exemplo, nos Estados Unidos, assim como a república não ia funcionar no Reino Unido. Portugal é mais monárquico na forma como funciona, na mentalidade, na "portugalidade", do que republicano. Infelizmente foi feita uma grande "lavagem cerebral" aos portugueses durante 1 século e as pessoas, mesmo olhando, verificando que isto está mal (muito mal), vendo que até esteve melhor na monarquia, percebendo que a estabilidade política na monarquia é muito maior, etc., não conseguem desbloquear o preconceito contra a ideia monárquica. Eu desbloqueei. Como afirmei anteriormente, teoricamente a república é muito mais justa, assim como por exemplo, teoricamente o comunismo é fantástico, na prática não funcionam, e não nos podemos seguir por ideias teóricas, temos de perceber o que funciona na prática e libertarmo-nos de preconceitos para levar as coisas a bom porto.
Creio que o problema essencial dos portugueses está na falta de "sermos portugueses", na falta de orgulho, na falta de interesse e na falta de patriotismo. Isso afecta a nossa forma de ser e os nossos valores (entrando também estes em falta). Todas estas faltas afectam o estado democrático e a crença no mesmo. A meu ver faltam-nos líderes. Faltam-nos símbolos nos quais nos apoiemos e que nos unam num só objectivo e no amor à pátria. Uma coisa leva à outra. Um povo seguro e orgulhoso de si não deixa que o pisem, não fica desmotivado e luta pelo que quer. Isso, eu creio, tenho a convicção, que era mais fácil alcançar com um rei imparcial, que funcionava como símbolo, líder e união, do que com um presidente tão parcial como qualquer outro político, porque enquanto um presidente, por exemplo social-democrata, tem tendência de beneficiar sempre o PSD, um socialista sempre o PS não permitindo uma imparcialidade política, o rei tem essa imparcialidade e o que influencia é por crença pessoal e não por dever alguma coisa a alguém. Porque ele já nasceu rei, não chegou lá com favores de ninguém. É-o naturalmente e, naturalmente, e sem interesses, exerce essa função.
Todos concordamos que isto está mal mas, dentro da república, qual a saída que encontramos? Outra revolução? Eu francamente acho que nos faria mal outra revolução porque os problemas não se resolvem de armas na mão (isso é como tratar uma perna partida com analgésico...) ...Pela democracia? E como? Votando em quê e em quem? Alertando e consciencializando os 90% de portugueses que se estão a borrifar e à espera que "o outro" solucione as coisas? - Sim, este seria o caminho - alertar e consciencializar esses 90% de apáticos, desmotivados, desmoralizados, desportuguesados que cá andam. E como fazemos isso? Como fazemos isso na nossa actual república?
Não podemos esperar 20 anos para que as consciências despertem, Portugal não tem 20 anos. Portugal tem 4 ou 5 (se tiver). É neste contexto que o facto de se alterar a constituição permitindo um referendo para a monarquia pode, rapidamente, consciencializar as pessoas. O facto de aparecer um referendo (e nem é preciso que a monarquia ganhe e se mude de regime), pode fazer com que a mente apática de grande parte das pessoas desperte. Seja porque não querem a monarquia e, como tal, têm de discutir o que está mal na república e exigir essa mudança, seja porque querem a monarquia e, como tal, vão escarafunchar no que está mal na república para mudar mentalidades. Seja por que motivo for era bom um referendo, e era bom que a comunicação social desse mais voz aos monárquicos porque eles, aparentemente, são os únicos que não se limitam a levantar a voz para criticar, também a levantam para apresentar soluções. Essa voz devia ser ouvida, mas ouvida provocando o "medo" republicano e a esperança monárquica. Quer se mudasse ou não, esse temor ou esperança de que, o que temos pode não ser eterno, dariam novo folgo à mentalidade. Agora, o outro caminho que vejo é o silencioso. O daqueles que, não conseguindo mudar as mentalidades à velocidade necessária, agarram em armas e tomam o poder pela ditadura e só nos enterram mais (porque, eventualmente, a apatia e o "desaportuguesamento" vão continuar).
Os portugueses, na verdade, já não se identificam com o que temos, mas também têm medo da monarquia porque lhes fizeram imagens de monstros que vivem à custa do povo em palácios e, como tal, também não se identificam com ela (apesar de ser isso o que, na verdade, têm, mas na república). Estamos com uma crise imensa de identidade e não creio que o caminho seja permanecer aqui a tentar mentalizar as pessoas, e sim pegar numa fórmula tipicamente portuguesa e mostrar que é possível ser patriota, ter valores e continuar em democracia. Parece-me mais difícil mentalizar as pessoas disso pelo caminho republicano (completamente descredibilizado) do que pelo monárquico. Basta que percebam que a monarquia não é absolutista. Porque acredito que, neste momento, o Portugal descredibilizado facilmente aceitaria outro “Salazar” e custa-me imenso perceber que as pessoas mais facilmente aceitem o caminho da ditadura, do que da monarquia constitucional democrática.
Vejo a monarquia como a única actual saída democrática que permite a mudança de mentalidades e a restauração dos valores tão necessária à nossa sociedade, porque, ao haver a mudança iria haver uma reflexão do porquê do povo ter optado pela monarquia e, logo aí, a mentalidade ia mudando.
Não é para meu proveito pessoal que eu apoio uma monarquia, porque nada ganharei, mais do que o resto do país com isso, é porque, pensando imparcialmente no bem do país, revendo a sua história, tenho de baixar os braços e dizer: A república não funciona e vai continuar a não funcionar! Se queremos salvar o país desta degradação permanente temos de largar os preconceitos que existem, e tantos, relativamente à monarquia e aceitar que esse é o único caminho possível a seguir se queremos ter alguma hipótese.
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quinta-feira, janeiro 08, 2015
Arrendar ou Comprar?
A responsabilidade de arrendar uma casa é muito inferior à de comprar. Quando arrendamos uma casa não nos preocupamos muito porque a casa não é nossa e, no futuro, não vai passar para os nossos filhos e netos. Mesmo que tenhamos governantes/as, criados e cozinheiros, não nos preocupamos muito se a casa, na sua estrutura está arranjada. E embelezamos com cuidado apenas aquelas partes que vamos mostrar aos outros “para inglês ver” (às vezes nem isso). Os proprietários da casa acabam sempre, depois, por arcar com o “bolo final” das contas daquilo que não foi cuidado convenientemente. Raros são os inquilinos temporários que, realmente, se preocupam.
Quando compramos a coisa muda de figura. Compramos algo que escolhemos, pelo qual lutamos dia após dia, fazendo as contas para saber que casa podemos pagar no final do mês e com que luxos podemos viver, mesmo que seja outra pessoa a pagar a casa que é nossa, temos este cuidado porque não a queremos perder. Queremos que seja permanente, que passe para os nossos filhos e netos com o mínimo encargo possível para as futuras gerações. Cuidamos da casa com amor e carinho. Com cuidado, seja nas partes “para inglês ver” ou nas partes mais íntimas, mais nossas. Se tivermos governantes e criadas andamos “mais em cima” a ver o que andam a fazer e a “cobrar” qualquer falha porque, a casa é nossa, gostamos dela, sentimos amor por ela e queremos que os nossos filhos a tenham nas melhores condições possíveis. Raros são os proprietários permanentes que não se preocupam.
É assim que encaro a república e a monarquia. O presidente da república “arrenda” o país como seu por 5, 10 ou 15 anos. Não mais do que isso. Depois disso não são os seus herdeiros, os seus filhos que ele ama, quem tem de preocupar-se com a “merda” que se tenha feito durante o seu arrendamento e sim o inquilino seguinte. Se os governantes roubarem, os criados fizerem um mau trabalho, o presidente não tem de preocupar-se muito, desde que aquilo que o “inglês vê” esteja bem, e desde que o seu futuro pessoal esteja assegurado (vivendo às custas de quem lhe paga para o resto da vida), não tem de preocupar-se muito e, se for preciso, também rouba mais um bocadinho. Raros serão os realmente honestos nesta situação.
Com a Monarquia o Rei “compra” o país como seu para toda a vida e sabe que o mesmo passará para os seus filhos e netos, e tem de manter feliz quem lhe paga para isso. Vive nele e se os seus governantes e criados andarem a roubar, fizerem mal o seu trabalho, são os seus filhos quem vai ter de arcar com as consequências no futuro. Os filhos que ele ama e que não quer que sofram. Assim cuida do país como se de propriedade privada se tratasse. Mete a “boca no trombone” se notar casos de “roubos” (corrupções), tenta chamar a atenção de maus governantes e criados e orienta as coisas de modo a que o futuro da sua casa esteja salvaguardado e o trabalho dos seus filhos seja cada vez menor. Raros serão aqueles que tenham mau íntimo e não se preocupem quando está em risco um lugar permanente para si e para os seus.
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terça-feira, dezembro 30, 2014
quinta-feira, dezembro 18, 2014
A política e o futebol
Parte do mal deste estado adormecido e de ignorância em que o português anda relativamente à política é o facto de ninguém gostar de política e ninguém ligar à política porque, dois assuntos tabu entre amigos e conhecidos são a política e o futebol.
Ora, quando se liga a política na mesma frase com o futebol, isso cria, na cabeça das pessoas a ideia que simpatizar e votar num partido político é a mesma coisa que ser adepto de um qualquer clube de futebol. Eu sou benfiquista e, por muita merda que o meu clube faça vou continuar a ser benfiquista. Mesmo que o meu clube descesse para a 2ª divisão, eu continuava a ser benfiquista.
Já com os partidos, se eu votar PS e o PS fizer merda eu, para a próxima não voto no PS, voto noutro qualquer, seja ele o PSD o CDS, o PCP, o PPM, o BE ou um dos pequenotes e no qual eu acredite, porque a política tem essa parte do acreditar naquilo que nos dizem e ninguém tem o direito de criticar o outro por acreditar em coisas diferentes. Não temos o direito de critcar, mas um debate esclarecido entre pessoas sobre as diferentes políticas seguidas pelos diversos partidos, as comparações do que tem resultado lá fora e do que tem falhado lá fora e cá dentro, só faziam bem à população em geral. Mas as pessoas não querem saber. De 4 em 4 anos lá vão colocar uma cruzinha, umas sendo sempre fieis ao seu "clube" outras saltitanto, quais borboletas entre dois que são sempre os mesmos.
Hoje estamos mal, muito mal. Já estivemos pior, por muito que esta realidade custe a uns quantos "bota-abaixo". A culpa podemos colocá-la em todos os partidos que nos (des)governaram desde o 25 de Abril e, nesse caso, culpem também a constituição da republica portuguesa que permite certos abusos.
(Excerto de texto publicado originalmente em Março de 2011 no facebook, adaptado)
sexta-feira, dezembro 12, 2014
Entre a desconfiança e o desinteresse: A abstenção eleitoral nas democracias
Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes.
Por João Bernardo
Os inquéritos sociológicos indicam que a maioria dos participantes em eleições não se ilude quanto à eficácia do sufrágio, por isso vota mais contra um partido ou um candidato do que a favor de outro partido ou de outro candidato. Quer estas pessoas sejam de esquerda ou de direita ou de lugar nenhum, ir pregar-lhes que as eleições são um logro é chover no molhado. Para evocar um exemplo do outro lado do mundo, recordo que nas eleições legislativas realizadas em Madagáscar em 1989 contaram-se cerca de 40% de abstenções, o que a oposição considerou uma vitória, visto que lançara um apelo nesse sentido. Mas como esta taxa de abstenção não parece superior à de outros países onde as oposições apelam à participação no voto, veremos neste artigo que com ou sem propaganda abstencionista não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa. Com efeito, serão raros aqueles que julgam que podem mudar o mundo através do voto. [...] Quaisquer que sejam os espaços possíveis de obter através dos resultados eleitorais, o facto decisivo, a meu ver, consiste na enorme taxa de abstenções.
[...]
É interessante considerar que uma percentagem muito significativa de pessoas prefere mostrar a sua descrença pela democracia representativa pura e simplesmente não votando, em vez de eleger os candidatos de extrema-esquerda que se apresentam em plataformas críticas dessa democracia representativa. A desconfiança atinge todos os que participam nos processos eleitorais, quaisquer que sejam as suas ideologias e o teor dos seus discursos. E assim o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade das democracias. Basta uma aritmética rudimentar para constatarmos que, com 1/3 de abstencionistas, que é uma percentagem bastante comum, o candidato ou o partido que obtenham metade dos votos conseguirão, afinal, o sufrágio de apenas 1/3 do eleitorado. Mesmo quando o número de abstencionistas se reduz a 1/4, o que pode ser considerado como uma taxa de participação elevada, quem alcance metade dos votos conta apenas com 37,5% de aprovação. Que grandes vitórias! Esta perda de legitimidade das democracias não é certamente alheia ao reforço da fiscalização dos gestos mais comuns do dia-a-dia, através dos meios electrónicos de vigilância. O que tem afinal ocorrido é a transformação gradual das democracias representativas em autoritarismos tecnocráticos, e o crescimento das abstenções é um indício deste processo.
Excertos de de um artigo de João Bernardo de Março de 2009
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FEUDALISMO: Tens duas vacas. O teu senhorio fica com a maior parte do leite.
SOCIALISMO: Tens duas vacas. O governo pega nelas e mete-as num celeiro com as vacas de toda a gente. São tratadas por ex-tratadores de galinhas. Tens que tratar das galinhas que o governo tirou aos tratadores de galinhas. O governo dá-te o leite e os ovos que a legislação diz que precisas.
FASCISMO: Tens duas vacas. O governo fica com elas, contrata-te para tratar delas e vende-te o leite.
COMUNISMO: Tens duas vacas. O governo nacionaliza as vacas e contrata 300 pessoas para tratar das duas vacas proclamando uma taxa de emprego de 100%. Divide o leite das duas vacas pelas 300 pessoas, afirma que todos têm o que precisam e mata o fulano que revelou os números reais ao resto do mundo.
DITADURA MILITAR: Tens duas vacas. O governo fica com elas e recruta-te para o exército.
DEMOCRACIA DIRECTA: Tens duas vacas. Todos decidem quem fica com o leite.
DEMOCRACIA REPRESENTATIVA: Tens duas vacas. Todos elegem alguém para decidir quem fica com o leite.
BUROCRACIA: Tens duas vacas. O governo começa por regulamentar o que lhes podes dar de comer e quando as podes ordenhar. Depois paga-te para não as ordenhares, em seguida tira-te as duas, mata uma, ordenha a outra e deita o leite pelo cano abaixo. Finalmente obriga-te a preencher papelada a pedir satisfações pelas vacas desaparecidas.
ANARQUIA: Tens duas vacas. O teu vizinho mata uma e rouba a outra.
CAPITALISMO: Tens duas vacas. Vendes uma e compras um boi. Eles multiplicam-se , e a economia cresce. Vendes a manada e aposentas-te.
CAPITALISMO SELVAGEM: Tens duas vacas. Vendes uma e forças a outra a produzir o leite de quatro vacas. Ficas surpreendido quando ela morre.
NACIONAL SOCIALISMO - Tens duas vacas. O governo mata-te e fica com elas.
JAPÃO: Tens duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois crias desenhinhos de vacas chamados Vaquimon que vendes por todo o mundo.
ESPANHA: Tens duas vacas. Não sabes por onde elas andam. Vais fazer a sesta.
ITÁLIA: Tens duas vacas. A máfia mata uma e cobra-te para manter a outra segura.
EUA: Tens uma vaca mas dizes a toda a gente que tens duas.
IRAQUE: Tinhas duas vacas. Os americanos mataram-nas com uma bomba, mas por engano. Mas dizem que agora és uma democracia.
REINO UNIDO: Tens duas vacas. As duas são loucas.
HOLANDA: Tens duas vacas. Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e está tudo bem.
ALEMANHA: Tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos.
RÚSSIA: Tens duas vacas. Contas e vês que tens cinco. Contas de novo e vês que tens 42. Contas de novo e vês que tens 12 vacas. Paras de contar e abres outra garrafa de vodka.
SUÍÇA: Tens tem 500 vacas, mas nenhuma é tua. Tu cobras para guardar as vacas dos outros.
BRASIL: Tens duas vacas. Fazes greve porque a tua manada não cresce...
ÍNDIA: Tens duas vacas. Ai de quem tocar nelas!
PORTUGAL:
Tens duas vacas. O governo fica com uma para dar a quem não tem nenhuma e, em seguida, cria O IVVA- Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.
Um fiscal vem e multa-te porque, embora tu tenhas pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do teu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que tenhas 200 vacas.
E para te livrares do sarilho, dás a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho. Como ficas sem vacas o governo dá-te o leite que pede emprestado aos Alemães...
SURREALISMO: Tens duas girafas. O governo pede-te que aprendas a tocar harmónica.
FACEBOOK: Tens duas vacas e partilhas fotos delas com toda a gente. Os teus amigos comentam a afimar que tens umas vacas giríssimas e partilham fotos dos porcos deles. Todos parecem felizes.
TWITTER: Tens duas vacas. As tuas vacas têm 1000 seguidores.
TUMBLR: Tens duas vacas. Queres que elas tenham uma relação. Fazes GIFs, desenhos e escreves histórias sobre como elas são queridas juntas. Gritas que adoras as tuas vacas e zangas-te com qualquer pessoa que afirme que as vacas na verdade querem é um boi.
SOCIALISMO: Tens duas vacas. O governo pega nelas e mete-as num celeiro com as vacas de toda a gente. São tratadas por ex-tratadores de galinhas. Tens que tratar das galinhas que o governo tirou aos tratadores de galinhas. O governo dá-te o leite e os ovos que a legislação diz que precisas.
FASCISMO: Tens duas vacas. O governo fica com elas, contrata-te para tratar delas e vende-te o leite.
COMUNISMO: Tens duas vacas. O governo nacionaliza as vacas e contrata 300 pessoas para tratar das duas vacas proclamando uma taxa de emprego de 100%. Divide o leite das duas vacas pelas 300 pessoas, afirma que todos têm o que precisam e mata o fulano que revelou os números reais ao resto do mundo.
DITADURA MILITAR: Tens duas vacas. O governo fica com elas e recruta-te para o exército.
DEMOCRACIA DIRECTA: Tens duas vacas. Todos decidem quem fica com o leite.
DEMOCRACIA REPRESENTATIVA: Tens duas vacas. Todos elegem alguém para decidir quem fica com o leite.
BUROCRACIA: Tens duas vacas. O governo começa por regulamentar o que lhes podes dar de comer e quando as podes ordenhar. Depois paga-te para não as ordenhares, em seguida tira-te as duas, mata uma, ordenha a outra e deita o leite pelo cano abaixo. Finalmente obriga-te a preencher papelada a pedir satisfações pelas vacas desaparecidas.
ANARQUIA: Tens duas vacas. O teu vizinho mata uma e rouba a outra.
CAPITALISMO: Tens duas vacas. Vendes uma e compras um boi. Eles multiplicam-se , e a economia cresce. Vendes a manada e aposentas-te.
CAPITALISMO SELVAGEM: Tens duas vacas. Vendes uma e forças a outra a produzir o leite de quatro vacas. Ficas surpreendido quando ela morre.
NACIONAL SOCIALISMO - Tens duas vacas. O governo mata-te e fica com elas.
JAPÃO: Tens duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois crias desenhinhos de vacas chamados Vaquimon que vendes por todo o mundo.
ESPANHA: Tens duas vacas. Não sabes por onde elas andam. Vais fazer a sesta.
ITÁLIA: Tens duas vacas. A máfia mata uma e cobra-te para manter a outra segura.
EUA: Tens uma vaca mas dizes a toda a gente que tens duas.
IRAQUE: Tinhas duas vacas. Os americanos mataram-nas com uma bomba, mas por engano. Mas dizem que agora és uma democracia.
REINO UNIDO: Tens duas vacas. As duas são loucas.
HOLANDA: Tens duas vacas. Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e está tudo bem.
ALEMANHA: Tens duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa. Mas o que tu querias mesmo era criar porcos.
RÚSSIA: Tens duas vacas. Contas e vês que tens cinco. Contas de novo e vês que tens 42. Contas de novo e vês que tens 12 vacas. Paras de contar e abres outra garrafa de vodka.
SUÍÇA: Tens tem 500 vacas, mas nenhuma é tua. Tu cobras para guardar as vacas dos outros.
BRASIL: Tens duas vacas. Fazes greve porque a tua manada não cresce...
ÍNDIA: Tens duas vacas. Ai de quem tocar nelas!
PORTUGAL:
Tens duas vacas. O governo fica com uma para dar a quem não tem nenhuma e, em seguida, cria O IVVA- Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.
Um fiscal vem e multa-te porque, embora tu tenhas pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do teu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que tenhas 200 vacas.
E para te livrares do sarilho, dás a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho. Como ficas sem vacas o governo dá-te o leite que pede emprestado aos Alemães...
SURREALISMO: Tens duas girafas. O governo pede-te que aprendas a tocar harmónica.
FACEBOOK: Tens duas vacas e partilhas fotos delas com toda a gente. Os teus amigos comentam a afimar que tens umas vacas giríssimas e partilham fotos dos porcos deles. Todos parecem felizes.
TWITTER: Tens duas vacas. As tuas vacas têm 1000 seguidores.
TUMBLR: Tens duas vacas. Queres que elas tenham uma relação. Fazes GIFs, desenhos e escreves histórias sobre como elas são queridas juntas. Gritas que adoras as tuas vacas e zangas-te com qualquer pessoa que afirme que as vacas na verdade querem é um boi.
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sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Democracias...
E nas notícias de hoje: Maduro quer suspender emissão da CNN na VenezuelaA bela democracia socialista tão elogiada por Mários Soares.
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terça-feira, janeiro 28, 2014
Democracia comunista....
Hoje nas notícias: Coreia do Norte Kim Jong-un manda executar toda a família do tio
Avante Camarada! " Agora, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, mandou matar também a sua família, incluindo as crianças, como conta o The Sunday Morning Herald.
A irmã, o cunhado, a sobrinha e os dois filhos foram as vítimas da ordem de Kim Jong-un, estrategicamente executadas de forma a eliminar todos os descendentes do tio."
- "Tenho dúvidas de que a Coreia do Norte não seja uma democracia". - Bernardino Soares, PCP (e há 11% de portugueses a votar nisto).
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