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quinta-feira, março 28, 2019

Uma linha unissexo chamada "sem género" não tem nada de inocente

A Zippy lançou uma linha para meninos e para meninas. Uma linha de roupa unissexo... esperem. não é unissexo, que isso existe há décadas e é inocente, é "sem género".
E porquê "sem género"? para promoção de uma ideologia com a qual nem todos concordam (como, aliás, deve ser - as ideologias nunca são aceites por 100% das pessoas e só somos um mundo melhor se soubermos aceitar isso - coisa que actualmente está a ser impossível com tantos bullies das ideias). Se uma grande quantidade de pais não concordarem com a promoção de uma ideologia e não quiser ver os seus filhos expostos a tal, a decisão da Zippy é um tiro no pé. Se, pelo contrário, muitos pais defenderem a ideologia em questão, a zippy ganha clientela. É só disso que se trata, nada mais. Os preconceitos não estão em quem não concorda com determinada ideologia, estão em quem não permite que alguém não concorde chamando-lhe preconceituoso. 

A ideologia de género não é científica, não é uma verdade, é uma opinião. E nenhum pai deve ser obrigado a ter o seu filho exposto, em tenra idade, a ideologias com as quais não concorda. Preconceituosos? Não. Humanos, com direito à liberdade de expressão e de opinião. Negar opiniões alheias é que é preconceito e opressão.


segunda-feira, março 25, 2019

Depois de aprovar 4 orçamentos, Jerónimo de Sousa ficou cheché!

Tadinho do senhor, é velhote, meteu a mão no ar sem querer e não percebe como é que se aprovaram quatro orçamentos, com a ajuda do PCP, em que os professores e os enfermeiros saíram sempre prejudicados, enquanto os bancos fizeram boa vida. Não entende como é que os impostos daqueles que nele votaram foram para ajudar banqueiros em vez dos professores e dos enfermeiros... É da idade... coitado, ficou cheché, acontece aos melhores!

 Temos de compreender e voltar a votar no comunismo porque tem dado um resultadão excelente em qualquer lado onde foi tentado!

terça-feira, março 05, 2019

"Sucesso do Comunismo"... Só que não...

Brilhante! Eu cá acho que foi tudo programado! Afinal representou fielmente a realidade:. Começou bem, encalhou a meio, o líder perdeu o encanto e ainda atrasou os restantes...




domingo, novembro 27, 2016

"O meu assassino é melhor que o teu"

Na sequência das afirmações da Catarina Martins sobre Castro, revelando que "Foi um grande homem da revolução cubana, uma revolução vitoriosa" e "Erros não podem apagar homenagem a grande revolucionário" (por erros entenda-se assassinatos, perseguições, ditadura, miséria do povo cubano), ou as e Jerónimo de Sousa afirmando que Castro foi "o exemplo de uma vida consagrada aos ideais da liberdade” podemos igualmente afirmar sobre:

Hitler:

Foi um grande homem que reduziu o desemprego de 30% para 0%

Foi um grande homem que aumentou o PIB de 60 para 110

Foi o exemplo de uma vida que, à semelhança da Catarina Martins, do Jerónimo de Sousa e do Castro, que eles admiram, passou a sua vida a lutar contra o capitalismo e o mercado livre

E os seus erros não podem apagar a homenagem ao grande revolucionário que implementou uma importante reforma cultural e social, lutando pela liberdade do povo alemão (tendo em conta o conceito de liberdade defendido por Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins).

Podíamos fazer o mesmo exercício para qualquer ditador. E, para finalizar, afirmo eu:

Existem dois tipos de pessoas: as que abominam qualquer tipo de ditadura e lutam por direitos iguais para todos os cidadãos independentemente da cor, género ou classe social e as que arranjam desculpas para ditadores que atacam o tipo de pessoas que elas consideram inimigos seja por motivos de cor, género e/ou classe social. A Catarina Martins, o Jerónimo de Sousa, o Hitler, o Castro e os admiradores de qualquer um deles estão nesta segunda categoria.


segunda-feira, outubro 26, 2015

Europa com radicais de esquerda e direita e os maus dos liberais

Muito destaque se dá à vitória da extrema-esquerda (não referindo a aliada extrema-direita (isso não interessa)), na Grécia. Aconteceu este ano em Janeiro e voltou a acontecer em Setembro. O que não se vê destacado na imprensa é que desde Janeiro do ano passado (2014), a Sérvia, Hungria, Bósnia-Herzegovina, Ucrânia e Polónia elegerem governos Nacionalistas, com ou sem coligação (de extrema-direita). Há, portanto 5 países com novos governos nacionalistas na Europa (contando com o grego, que os tem em coligação, 6) e ninguém o menciona. Passa-nos ao lado. Parece que não interessa. Que não significa uma mudança na mentalidade europeia. Mudança à qual devíamos estar atentos e não estamos.
Numa nota mais positiva (para quem é verdadeiramente democrata e defende a liberdade para todos (ricos, pobres, brancos, não brancos, gays, heterossexuais, etc.) é que, também desde Janeiro de 2014, Bélgica, Eslovénia, Kosovo, Suécia, Letónia, Andorra, Estónia e Suíça elegeram governos Liberais (com ou sem coligação), ou seja, há 8 países na Europa com governos Liberais, e ninguém o menciona... há um com a extrema-esquerda e falam em "mudança" (só porque a Grécia, tendencialmente de esquerda, "mudou" para a extrema-esquerda)... mas há 6 com extrema-direita, e 8 com liberalismo, e parece que não interessa nada.
Quem ler a imprensa neste país, pensa que a Europa está a virar à esquerda. Sendo que ignorar a extrema-direita, não abordar o assunto e deixar passar ao lado como se nada fosse, não resolve nada, não leva a que se perceba que existe um perigo. Mas compreendo, tal como os jornalistas acham que influenciam opiniões e fazem com que mais gente vote extrema-esquerda (que defendem) ao noticiarem a vitória Grega, e por isso o fazem, também acham que podem levar a que mais gente vote na extrema-direita (que demonizam) se falarem nas várias vitórias que a mesma tem na Europa e por isso calam... infelizmente, ou calavam ambas, porque ambas são perigosas, ou falavam de ambas pelo mesmo motivo. Mas não... Continuamos num mundo ridículo onde, ao mesmo tempo que, realisticamente, se teme o nacionalismo, se branqueia e se beatifica o regime, até à data, mais mortal do mundo - o comunista.



P.S - Já agora, por mera curiosidade, em todas as eleições parlamentares europeias desde Janeiro de 2014 só a Grécia tem muitos comunistas e extrema-esquerda, que estão inclusivamente no governo, assim como Portugal (18%), a Bélgica ficou com 4% de comunistas (elegendo, tal como referido anteriormente, um governo liberal), e os restantes países (e regiões autónomas) que tiveram eleições desde Janeiro de 2014 (um total de 19) elegeram 0% (ZERO POR CENTO) de comunistas e extrema esquerda no parlamento, e a grande maioria nem socialistas elegeram, havendo ainda uma quantidade significativa de social-democratas (que são considerados de esquerda em qualquer outro país, para além de Portugal).
No entanto, quem lê a imprensa de esquerda fica com a impressão que "o medo mudou de lado" e que "os comunistas estão em força"... não estão... o que estão é a perdê-la cada vez mais. Daí o medo.

sábado, maio 02, 2015

Venezuela sempre a subir!


Depois de uma taxa de inflação de 68,5% o "democrata" Maduro anuncia, no dia 1 de Maio, à semelhança de anos anteriores, um aumento de 30% no ordenado dos funcionários públicos do país (no fundo "só" perderam 38.5% do ordenado que tinham anteriormente) e salário mínimo que agora passa a ser a exorbitante quantia de 87 euros mensais. Não admira pois que o Camarada Soares continue a elogiar o socialismo venezuelano, pois nos anos 80 fez o mesmo por cá enquanto as pessoas batiam palmas ao aumento sem perceber por que razão, com ordenados mais altos, não conseguiam comprar o mesmo que compravam antes...

Os produtos, por sua vez, tiveram aumentos que vão dos 60% aos 100%. Para terem alguns exemplos, um quilo de cenouras na Venezuela custa cerca de 17 euros, um cabo de vassoura custa 20 euros, um caixa de 36 lápis de cor é mais caro que um ordenado mínimo, fica por 120 euros, uma toalha de banho cerca de 140 euros, e uma barbie são 2 ordenados mínimos... viva o socialismo que com este aumento de 30% no ordenado dá uma estalada no "imperialismo americano" onde qualquer marmanjo tem dinheiro para uma barbie e um quilo de cenouras.


terça-feira, abril 28, 2015

Compravam a t-shirt barata se soubessem como é feita? (vídeo)

Marx dizia "Há apenas uma maneira de matar o capitalismo: com impostos, impostos e mais impostos". Não sou a favor de matar o capitalismo, muito menos sou a favor de impostos, sou mais a favor de matar o comunismo (onde as pessoas são forçadas a trabalhar por nada) e onde há muitos impostos. Mas sou a favor de vencer o capitalismo selvagem e a única forma de o fazer não é por impostos, de que o socialismo tanta gosta, e sim pela nossa consciencialização. Não concordam com a metodologia empregue por determinada empresa? Acham que determinada empresa explora os trabalhadores? Têm bom remédio: Não comprem, não comprem, não comprem!!! Num mundo onde o mercado é livre, com muita escolha, ninguém é obrigado a comprar nas empresas que exploram, que pagam mal, que têm má qualidade. Todos podemos optar pelo melhor, pelo que respeita o trabalhador, pelo que oferece qualidade de vida. Claro que têm de ter consciência que, isso sim, implica partilharem porque têm de pagar mais por um produto que, pelas mãos do "explorador" sai 3 ou 4 vezes mais barato. A escolha é sempre vossa. Quando dizem mal do capitalismo referem-se ao selvagem. Não tentem acabar com aquele capitalismo que oferece escolhas, que não cria campos de trabalho forçados (como acontece no socialismo), que oferece qualidade de vida e respeita trabalhador e consumidor. Acabem, não consumindo os seus produtos, com o capitalismo selvagem. Está sempre nas vossas mãos e nem precisam de votar em ninguém...

sábado, abril 25, 2015

25 de Abril, Sempre!?

O país está com uma crise profunda (financeira, mas, acima de tudo, de valores) temos de entender que milagres não existem e depende do esforço de todos sair dela... Por vezes penso que os portugueses em geral só querem direitos sem terem deveres. Querem salário sem trabalho e, se um patrão (seja ele o estado ou um particular) os obriga a trabalhar aquelas horas para receber aquele dinheiro, dizem-se explorados. Falta consciência global e sentido de realidade aos portugueses... é neste ponto que culpo a esquerda que temos (que é a do discurso do 25 de Abril), aquela que deu "a terra a quem a trabalha" e que levou herdades à falência porque quem trabalha, tem mesmo de trabalhar... Enquanto não entendermos que existem fortunas dignas, que existem ricos que criam trabalho e geram riqueza para todo o país e que não são o inimigo, enquanto não conseguirmos distinguir os honestos (sejam ricos ou pobres) dos desonestos (sejam ricos ou pobres) e andarmos a juntar tudo no mesmo saco, não vamos a lado nenhum. Há muitos portugueses extremistas (não tanto nos partidos em que votam, mas no discurso que têm). Para quem é tudo ou nada. Ter direitos mas não sem ter de ter obrigações. "Ele" se é rico é porque roubou para ser e não porque trabalhou (ou alguém da sua família o fez) para ele o ser. "Ele" se é pobre é porque é explorado e não porque não quer trabalhar. Somos uma sociedade cheia de preconceitos... as pessoas são pessoas. Os países são países e precisam de todas as pessoas para sobreviver. Empreendedores para criar mais riqueza e postos de trabalho e outros empreendedores para trabalhar e tentar melhorar a sua vida e a vida das gerações futuras da sua família.
Temos de deixar de viver em sonhos irreais trazidos pelo 25 de Abril que nos transmitia a ideia que não era preciso trabalhar para ter. É! É preciso trabalhar. Temos todos de trabalhar para ter, e temos de trabalhar muito! Não podemos continuar neste roubo permanente, nesta inveja sofrida de querer o que pensamos que o outro tem, de achar que o que o outro tem lhe caiu de graça do céu e de querer roubar toda a gente porque os consideramos desmerecedores do que conseguiram e porque nos consideramos no direito de ter, sem nos esforçarmos para tal.
Portugal é hoje o país do desleixo e dos desleixados. Deixámos de conseguir “desenrascar” para passar a, simplesmente, exigir. Não foram só os políticos sozinhos que destruíram o país, fomos todos nós. Nós que votamos naqueles que desbaratam a riqueza do país para obedecerem aos nossos caprichos de votantes. Nós que não queremos acreditar em quem nos diz a verdade e preferimos votar naqueles que nos mentem. Nós que continuamos a apontar o dedo a tudo e a todos sem perceber que no nosso dedo, na nossa mão, está o poder democrático de punir os culpados por, simplesmente, não votar neles. Nós que continuamos a gritar “25 de Abril, Sempre!”, sem percebermos que o país tem de evoluir, tem de sair da festa, tem de libertar-se muito mais do que faz com um simples “slogan” e um cravo na mão.
Paremos de gritar, paremos de apontar o dedo... é tempo de reflectir e de percebermos o que, cada um de nós, pode fazer para mudar isto.


quinta-feira, abril 23, 2015

"O 25 de Abril e a História" - António José Saraiva - Publicado em 1979


"Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.

Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.

Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e
africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir. Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte de África na zona soviética. 

O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar. Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tropas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.

Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto. Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.

Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.

Quanto ao terror policial, estabeleceu--se uma confusão total.

Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.

Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou--se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados. Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista». Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquos, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pêlos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma Primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.

Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou--se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro. É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente."

                                                                                             António José Saraiva 

quinta-feira, março 19, 2015

Agir a favor de quem?

Em entrevista ao Observador, diz a Joana Amaral Dias (que deixou o Juntos Podemos, que tinha 21 fundadores, que juntos não puderam, para formar o Agir com 14 desses fundadores (vamos lá ver se estes podem agir ou não)), que quer "contrariar a primazia da economia sobre a política" porque "“nós [portugueses] temos direito a escolher o nosso modelo económico”. Calculo, portanto, que o Agir vá retirar da Constituição da república a obrigatoriedade de caminharmos para uma sociedade socialista, de modo a que os portugueses que não são socialistas (e cada vez são mais), possam escolher viver num país que não o é, certo?


domingo, março 15, 2015

Faz o que eu digo...

As pessoas têm o que têm e defendo que, desde que ganho dentro da lei, ninguém deve ser obrigado a distribuir o que tem por quem não tem. Cada qual deve ter consciência do que é o mundo e fazer aquilo que o faz sentir-se bem. A maioria das pessoas sentem-se bem a dar um pouco do que têm, algumas pessoas (que admiro) sentem-se bem a dar tudo o que têm para além do estritamente necessário (por vezes, tudo o que têm), e outras sentem-se bem a guardar tudo para si e borrifar-se para os outros. Podemos admirar mais aquelas que dão "tudo", gostar das que dão algo (a maioria), e desprezar as egoísta. Mas não considero que tenhamos o direito de obrigar, seja quem for, a dar o que é seu e que não quer dar.

Essa é a minha ideologia. Sou, por isso, considerada uma "perigosa" liberal.

Há, no entanto, aqueles que têm a ideologia que devemos distribuir a riqueza até alcançar o ponto em que todos temos exactamente o mesmo. Como a maioria não quer dar quase tudo o que tem, para que tenhamos todos quase nada, essas ideologias levam a ditaduras - como Cuba, a Venezuela ou a Coreia do Norte.

Actualmente a Grécia tem políticos que defendem os "pobres".

Como digo, cada qual tem o que tem e deve ter direito a tê-lo. Mas não posso deixar de considerar um grandessíssimo hipócrita um ministro das finanças que defende a ideologia Marxista, e tem uma vida burguesa, um belo apartamento, com piano e come e bebe do bom e do melhor, com o povo a, de acordo com as suas próprias palavras, passar fome. Quem defende o Marxismo NÃO PODE (sem ser um grande hipócrita) ter o mínimo luxo, enquanto os outros tiverem pobreza, pode apenas ter o mínimo e o resto distribui até todos terem o mesmo. É isso que defendem, certo?

Ele agora arrepende-se de ter tirado as fotos... Arrepende-se não por ter as coisas, mas porque o povo, que nele votou, que ele afirma estar em crise humanitária, ficou a saber que ele tem o que tem.

segunda-feira, março 02, 2015

Como é que, sendo pobre, votas em partidos de ricos?

É uma pergunta que ouço frequentemente por defender ideias liberais.
Vou tentar responder:

Primeiro, não me considero pobre. Nem quem me faz a pergunta se deveria considerar pobre. Tenho internet, tenho comida na mesa. Tenho luz eléctrica, tenho água canalizada. Tenho um aquecedor e uma ventoinha. Tenho um carro, tenho roupa no corpo. Ok., o meu carro é velho, as refeições nem sempre são grande coisa e a roupa é comprada nos supermercados e algumas peças têm mais de 10 anos, mas tenho tudo isso que cerca de 80% das pessoas no mundo não tem. Logo, eu não sou pobre. Eu estou entre os 20% mais ricos do mundo, tal como quem agora está a ler este post está (porque se o faz é porque tem, pelo menos, a luz eléctrica e a internet - calculo que tenha tudo o resto).
Segundo, mesmo que seja pobre dentro do conceito do "rico" da pessoa que me faz a pergunta do título - rico esse que se compara com os 20% mais ricos que ele e não com os 80% mais pobres - não sou ladra, invejosa, nem rancorosa e sou, completamente, contra o roubo. Assim sendo, não creio que vote em "partidos de ricos", voto sim em partidos de gente que não defende a política de roubar ao outro para me dar a mim (e mesmo que me considerem pobre não creio que tenha direito de roubar ao outro em meu benefício).
Terceiro: pela definição de partido de ricos e partido de pobres da pessoa que me faz a pergunta, podem crer que prefiro votar em partidos que defendem a riqueza do que em partidos que defendem a pobreza. Basta olhar para o exemplo do mundo para perceber que  quanto mais se "defendem os pobres" e se "atacam os ricos" mais pobres se cria, porque não se estão a defender políticas económicas que estimulem a criação de riqueza e sim, e apenas, políticas económicas que defendem a distribuição da riqueza criada. Ora, se não se cria riqueza o que sobra para "distribuir"?

Os bons e os maus...

Sem meios-termos, zonas cinzentas ou cor...


É tão mais fácil viver num mundo onde há uns que são "maus" e outros "bons". os "bons" somos sempre nós, os "maus" são os "outros"... Nós, não cumprimos, mas somos os bons. Nós não queremos mudar nada na situação que nos leva à bancarrota e a pedir dinheiro emprestado, aos maus, claro está, mas somos os bons. Eles são maus porque nos emprestam dinheiro aproveitando a nossa angústia e o facto de sermos incompetentes e incapazes de corrigirmos a nossa situação e de termos de continuar a pedir emprestado aos maus que só emprestam, vejam lá, com garantias de que vamos pagar e até querem ter lucro com a nossa desgraçada situação, aquela que não queremos corrigir, porque somos bons. Os gregos também são bons porque também têm de pedir emprestado e não querem mudar nada. Até ameaçaram que não pagavam o que já tinham pedido e encheram a boca com um "não queremos mais dinheiro, não precisamos de mais empréstimos". Mas afinal voltaram a pedir. Mas, como são os bons, não têm de mudar nada, de provar nada, nem sequer deviam ter de pagar nada aos maus que lhes emprestaram o dinheiro. Porque os contribuintes dos maus são também eles maus e não precisam de tanto dinheiro para nada. Não precisam de escola gratuita, nem de boa educação, saúde e segurança... se têm é porque são maus. Nós, que somos bons, não conseguimos ter porque gastamos no que interessa e no que não interessa, porque temos mais protecção dos trabalhadores do que os maus e por isso produzimos menos, porque somos bons. Eles produzem muito porque são ruins e por isso têm de dar-nos as coisas a nós que somos bons. E, neste caso, ou se está com a Grécia, ou, se se alerta para o facto de a Grécia ter de cumprir, porque queremos que corrija o problema e saia da situação em que está, somos maus porque não lhe atiramos com dinheiro, nosso, dos nossos contribuintes, para cima do problema sem pedir nada em troca, apenas prejudicando os nossos contribuintes... mas isso não interessa porque eles, os nossos contribuintes, são maus.

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Diferenças entre esquerda e direita


Depois de ler o quadro acima, imaginemos que, num país com moeda própria e sem entrar em ditadura, os eleitores nunca mudavam o caminho e iam sempre ou pela esquerda ou pela direita.

Comecemos o cenário pela direita  (liberal)- concentrados na solução:

Inicialmente a ideia seria combater o défice existente. Assim despedia-se parte dos funcionários públicos ao mesmo tempo que se aumentavam impostos. A saúde e educação deixavam de ser gratuitas para todos, passando a ser pagas de acordo com as possibilidades. Faziam-se acordos com os privados para alguns serviços públicos. A taxa de desemprego aumentava bastante e a qualidade de vida percebida diminuía. A criminalidade aumentava. Com o baixar da despesa em ordenados, tratamentos e educação, baixavam-se inicialmente os impostos para empresas permitindo o investimento em mais empresas e mais trabalhadores. A taxa de desemprego começava a diminuir. Acabavam-se os subsídios como o RSI, mas mantinham-se as pensões por invalidez de acordo com dinheiro disponível. As reformas passavam a ser mistas: uma pequena parte era garantida pelo estado mas a maioria tinham de ser os próprios cidadãos a garantir para si. Ao fim de uns anos com mais investimento privado e mais emprego aumentava a produtividade, a riqueza no país e o défice diminuía, as infraestruturas e facilidades aumentavam. Reduziam-se os impostos. Aumentava a qualidade de vida, reduzia a criminalidade. Os empreendedores enriqueciam, havia uma forte classe média com boa qualidade de vida, poucos pobres e alguns miseráveis que viviam da caridade (e culpavam os "ricos"), ou seja de contribuições voluntárias dos membros produtivos da sociedade.

O cenário pela esquerda (socialista) - concentrados no problema:

Inicialmente a ideia era combater a pobreza. Garantia-se a todos os cidadãos um subsídio de sobrevivência e casa. Nacionaliza-se a banca e grandes empresas. O ordenado mínimo era aumentado e quem não tinha emprego ou era enfiado no Estado ou tinha um subsídio garantido. Saúde e educação era gratuitas para todos. A qualidade de vida percebida aumentava. O défice aumentava e o Estado deixava de ter dinheiro para pagar os ordenados e subsídios. Aumentavam os impostos, em especial para as empresas privadas que ainda existissem. Pediam-se empréstimos e, com o aumento da dívida, o défice ainda aumentava mais. Não se pagavam as dívidas. desvalorizava-se a moeda de modo a promover as exportações e a baixar salários sem que as pessoas percebessem. Como havia subsídios para todos muito deixavam de trabalhar porque preferiam viver mal mas sem ter trabalho. O estado não produzia o suficiente para as contas porque, com emprego garantido, ou subsídio garantido, as pessoas simplesmente não se davam ao trabalho. Os ricos, ao aperceberem-se do que ia acontecer já tinham fugido há muito. A classe média era assim a principal contribuinte em termos de impostos. As empresas, as poucas privadas que se mantivessem, eram vistas como "ladrões" e "gananciosos" e submetidas a cargas fiscais altíssimas. Assim, iam fechando e o desemprego aumentava. Mais gente ia viver de subsídios ou ter "emprego" no Estado. A moeda desvalorizava uma vez mais. Já não se conseguia sair do país porque a vida lá fora era muito cara para a bolsa nacional. Apesar das constantes desvalorizações o estado continuava a empobrecer. Já não dava para pagar subsídios a todos. A criminalidade aumentava. O resultado ao fim de uns anos era a existência de muitos miseráveis, muitos pobres, pouca classe média (e mesmo essa era baixa) e os ricos contavam-se pelos dedos das mãos pertencendo todos ao partido no poder. Culpavam-se os outros países, que tivessem seguido um regime "capitalista" pela desgraça própria e convencia-se o povo que só era miserável porque os outros eram ricos. (o país só teria salvação se entrasse numa ditadura obrigando os cidadãos a trabalhar e produzir "à lei da bala").

segunda-feira, janeiro 26, 2015

A culpa vai ser do liberalismo... claro

Depois da vitória do Syriza (extrema esquerda) nas eleições Gregas, vejo dois possíveis cenários: no primeiro (o que penso que vá acontecer), acabam por ceder à Europa porque falar é fácil, mas a realidade é outra. E, quando isso acontecer, a malta que agora os defende vai acusar o liberalismo. No segundo não cedem, saem do euro. Ficam sem dinheiro. Passam dificuldade. E a malta que agora os defende vai acusar o liberalismo por deixar a Grécia à sua sorte... aconteça o que acontecer, com um governo de extrema esquerda, a culpa vai ser do liberalismo (tal como o problema da Venezuela/Cuba/Coreia do norte são os Estados Unidos e o liberalismo).