Costa está com medo da direita... Não, não é da extrema-direita que ele tem medo, dessa teremos todos (como devíamos ter da extrema-esquerda, com quem Costa se associou), é da direita.
Senhor António Costa, ser patriota, defender o país, proteger a cultura, os usos e costumes do povo que se governa, não é ser de extrema-direita, é ser sensato.
O senhor António Costa refere que “As pessoas têm de sentir que, dentro do campo democrático, têm escolhas alternativas" - Aliar-se a comunistas/leninistas/marxistas/eurocépticos, para derrubar uma coligação que teve mais votos que o Partido Socialista, é uma dessas alternativas democráticas? É que, aos olhos de qualquer eleitor sensato, parece uma escolha muito anti-democrática.
É curioso que o António Costa fale que temos de aceitar "quotas" de imigração impostas pela UE (e a palavra impostas aqui revela muito do espírito anti-democrático) - Se os seus parceiros de geringonça tivessem poder suficiente já nem estávamos na UE!
Sabe, senhor António Costa, o que realmente legitima a viragem à direita é o facto de termos a extrema-esquerda no poder. O que realmente legitima a viragem à direita, é a falta de respeito que a esquerda tem demonstrado para com os povos europeus e o seu direito à auto-determinação. É isso que tem legitimado a dita extrema-direita. A direita, por seu lado, já acordou e começou a oferecer alternativas democráticas, já o Costa só lhes ofereceu acordos com comunistas/marxistas/leninistas/anti-europeístas.
"Explain again how sheep's bladders may be employed to prevent earthquakes."
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domingo, março 24, 2019
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
São todos iguais...
Qual é o medo?
Situação BES: Passos Coelho pede auditoria externa.
Situação BANIF: Esquerda chumba, NOVAMENTE, auditoria externa.
... É... são todos iguais.
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sexta-feira, outubro 09, 2015
O mal foi feito... agora é esperar
Não fiquei contente com os resultados eleitorais porque já esperava o que está a acontecer.
O Costa avisou ao que vinha. Na campanha já falava em possível coligação de derrotados, nem que para formar governo tivesse de aliar-se à extrema-esquerda. Ver agora pessoas do PS muito assustadas com o que daí vem, deixa-me completamente desanimada. Não foi sem aviso. Se não concordam e votaram no PS sabendo o que podia vir, a culpa é vossa. Inteiramente vossa.
Obviamente que a esquerda radical está nas nuvens. Nunca foi democrática, e "ganhar" eleições na secretaria para eles é mais que suficiente.
Não sei até que ponto, constitucionalmente, se pode formar governo assim. Não sei até que ponto se poderá afirmar que pegar em três derrotados e dar-lhes o governo não vai contra "os resultados eleitorais", previstos na Constituição. Mas assumindo que é, de facto, possível e que o Presidente o faz (ou é forçado a fazê-lo), que futuro acham que tem o país?
Com Costa como Primeiro-Ministro com boa parte dos socialistas contra ele, e o orgasmo colectivo da extrema-esquerda que se estará a borrifar para a democracia. Depois chegarão as exigências. Saída do Euro. Saída da Nato. Nacionalização da Banca, etc. Tudo coisas que o PS, até agora, não defende. Como se resolverá? Falhando, iremos para eleições antecipadas e acham mesmo que o PS sobreviverá a umas depois deste cenário?
Entretanto, passará tempo suficiente para acabar com a confiança dos investidores, aumentar a despesa, aumentar a dívida. Quando voltar o governo de direita teremos de passar pela austeridade da qual já nos tínhamos livrado. Porque a austeridade, ao contrário do que muitos pensam, não é uma opção política, não é algo que se "defende". É uma inevitabilidade após políticas irresponsáveis de gasto público excessivo, de aumento de dívida irresponsável. Mas, sabem que mais? Mesmo que agora seja o governo minoritário de direita a tomar posse, o resultado não será muito diferente deste. O mal foi feito no dia 4 de Outubro quando os portugueses não perceberam (e talvez ainda não percebam) que as opções viáveis são muito poucas. Agora é esperar que se resolva o mais depressa possível para sofrermos um pouco menos.
O Costa avisou ao que vinha. Na campanha já falava em possível coligação de derrotados, nem que para formar governo tivesse de aliar-se à extrema-esquerda. Ver agora pessoas do PS muito assustadas com o que daí vem, deixa-me completamente desanimada. Não foi sem aviso. Se não concordam e votaram no PS sabendo o que podia vir, a culpa é vossa. Inteiramente vossa.
Obviamente que a esquerda radical está nas nuvens. Nunca foi democrática, e "ganhar" eleições na secretaria para eles é mais que suficiente.
Não sei até que ponto, constitucionalmente, se pode formar governo assim. Não sei até que ponto se poderá afirmar que pegar em três derrotados e dar-lhes o governo não vai contra "os resultados eleitorais", previstos na Constituição. Mas assumindo que é, de facto, possível e que o Presidente o faz (ou é forçado a fazê-lo), que futuro acham que tem o país?
Com Costa como Primeiro-Ministro com boa parte dos socialistas contra ele, e o orgasmo colectivo da extrema-esquerda que se estará a borrifar para a democracia. Depois chegarão as exigências. Saída do Euro. Saída da Nato. Nacionalização da Banca, etc. Tudo coisas que o PS, até agora, não defende. Como se resolverá? Falhando, iremos para eleições antecipadas e acham mesmo que o PS sobreviverá a umas depois deste cenário?
Entretanto, passará tempo suficiente para acabar com a confiança dos investidores, aumentar a despesa, aumentar a dívida. Quando voltar o governo de direita teremos de passar pela austeridade da qual já nos tínhamos livrado. Porque a austeridade, ao contrário do que muitos pensam, não é uma opção política, não é algo que se "defende". É uma inevitabilidade após políticas irresponsáveis de gasto público excessivo, de aumento de dívida irresponsável. Mas, sabem que mais? Mesmo que agora seja o governo minoritário de direita a tomar posse, o resultado não será muito diferente deste. O mal foi feito no dia 4 de Outubro quando os portugueses não perceberam (e talvez ainda não percebam) que as opções viáveis são muito poucas. Agora é esperar que se resolva o mais depressa possível para sofrermos um pouco menos.
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quinta-feira, fevereiro 12, 2015
Diferenças entre esquerda e direita
Depois de ler o quadro acima, imaginemos que, num país com moeda própria e sem entrar em ditadura, os eleitores nunca mudavam o caminho e iam sempre ou pela esquerda ou pela direita.
Comecemos o cenário pela direita (liberal)- concentrados na solução:
Inicialmente a ideia seria combater o défice existente. Assim despedia-se parte dos funcionários públicos ao mesmo tempo que se aumentavam impostos. A saúde e educação deixavam de ser gratuitas para todos, passando a ser pagas de acordo com as possibilidades. Faziam-se acordos com os privados para alguns serviços públicos. A taxa de desemprego aumentava bastante e a qualidade de vida percebida diminuía. A criminalidade aumentava. Com o baixar da despesa em ordenados, tratamentos e educação, baixavam-se inicialmente os impostos para empresas permitindo o investimento em mais empresas e mais trabalhadores. A taxa de desemprego começava a diminuir. Acabavam-se os subsídios como o RSI, mas mantinham-se as pensões por invalidez de acordo com dinheiro disponível. As reformas passavam a ser mistas: uma pequena parte era garantida pelo estado mas a maioria tinham de ser os próprios cidadãos a garantir para si. Ao fim de uns anos com mais investimento privado e mais emprego aumentava a produtividade, a riqueza no país e o défice diminuía, as infraestruturas e facilidades aumentavam. Reduziam-se os impostos. Aumentava a qualidade de vida, reduzia a criminalidade. Os empreendedores enriqueciam, havia uma forte classe média com boa qualidade de vida, poucos pobres e alguns miseráveis que viviam da caridade (e culpavam os "ricos"), ou seja de contribuições voluntárias dos membros produtivos da sociedade.
O cenário pela esquerda (socialista) - concentrados no problema:
Inicialmente a ideia era combater a pobreza. Garantia-se a todos os cidadãos um subsídio de sobrevivência e casa. Nacionaliza-se a banca e grandes empresas. O ordenado mínimo era aumentado e quem não tinha emprego ou era enfiado no Estado ou tinha um subsídio garantido. Saúde e educação era gratuitas para todos. A qualidade de vida percebida aumentava. O défice aumentava e o Estado deixava de ter dinheiro para pagar os ordenados e subsídios. Aumentavam os impostos, em especial para as empresas privadas que ainda existissem. Pediam-se empréstimos e, com o aumento da dívida, o défice ainda aumentava mais. Não se pagavam as dívidas. desvalorizava-se a moeda de modo a promover as exportações e a baixar salários sem que as pessoas percebessem. Como havia subsídios para todos muito deixavam de trabalhar porque preferiam viver mal mas sem ter trabalho. O estado não produzia o suficiente para as contas porque, com emprego garantido, ou subsídio garantido, as pessoas simplesmente não se davam ao trabalho. Os ricos, ao aperceberem-se do que ia acontecer já tinham fugido há muito. A classe média era assim a principal contribuinte em termos de impostos. As empresas, as poucas privadas que se mantivessem, eram vistas como "ladrões" e "gananciosos" e submetidas a cargas fiscais altíssimas. Assim, iam fechando e o desemprego aumentava. Mais gente ia viver de subsídios ou ter "emprego" no Estado. A moeda desvalorizava uma vez mais. Já não se conseguia sair do país porque a vida lá fora era muito cara para a bolsa nacional. Apesar das constantes desvalorizações o estado continuava a empobrecer. Já não dava para pagar subsídios a todos. A criminalidade aumentava. O resultado ao fim de uns anos era a existência de muitos miseráveis, muitos pobres, pouca classe média (e mesmo essa era baixa) e os ricos contavam-se pelos dedos das mãos pertencendo todos ao partido no poder. Culpavam-se os outros países, que tivessem seguido um regime "capitalista" pela desgraça própria e convencia-se o povo que só era miserável porque os outros eram ricos. (o país só teria salvação se entrasse numa ditadura obrigando os cidadãos a trabalhar e produzir "à lei da bala").
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quarta-feira, janeiro 21, 2015
Socialismo ou liberalismo? Reflexões
Se 10% das pessoas trabalharem e produzirem, os outros 90% não quiserem trabalhar mas quiserem uma "justa" distribuição da riqueza e 100% votarem; e se houver 2 partidos - um que defende que cada qual fique com o que ganha apenas dando 10% do seu lucro para ajudar quem não pode trabalhar e outro defende que todo o lucro deve ser igualmente dividido por todos e que temos de dar muitas coisas gratuitas às pessoas todas - em quem é que pensam que 90% vai votar?

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sábado, janeiro 10, 2015
Direita e Esquerda... ou para cima e para baixo?
"Dizem-nos para escolher entre direita e esquerda, mas eu quero mostrar que não existe direita ou esquerda. Existe apenas para cima e para baixo. Para cima, para o antigo sonho do homem - a máxima liberdade individual consistente com a ordem - ou para baixo, para o monte do totalitarismo. Independentemente da sua sinceridade, das suas razões humanitárias, aqueles que sacrificam a liberdade pela segurança embarcaram no caminho descendente. Plutarco alertou, ‘O verdadeira destruidor das liberdades do povo é aquele que distribui generosidades, doações e benefícios".
- Ronald Reagan
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quarta-feira, dezembro 31, 2014
Perspectivas de ricos e pobres
Se eu ganhar 800 euros, chegar ao fim do mês a contar os tostões, e achar que o que é justo é que crise seja paga pelos ricos, sou pobre a ser esfolada por um governo neo-liberal.
Se eu ganhar 800 euros, chegar ao fim do mês a contar os tostões, e achar que temos de cortar na administração pública, e Estado Social para ultrapassar a crise, porque os ricos já pagam mais que todos e acho que os impostos são mais injustos do que os cortes, sou uma privilegiada que fala de barriga cheia.
Se eu ganhar 1200 euros tiver 2 carros na família, pagar 600 só por causa deles, tiver um filho na escola pública e com todas as outras contas andar a contar os tostões e me queixar que a escola é uma miséria e que eu não tenho opção, sou pobre a ser esfolada por um governo neo-liberal que quer acabar com a educação pública.
Se eu ganhar 1200 euros, tiver um carro já pago, com matrícula com mais de 10 anos, tiver um filho em escola privada porque acho que a pública é uma miséria e, por isso, pagar 600 euros para a educação do filho e com todas as outras contas andar a contar os tostões, afirmando que acho que o Estado deveria atribuir um cheque-escola para permitir a todos os pais a escolha da escola que mais se adapta aos seus filhos, sou um privilegiada que fala de barriga cheia e quer é acabar com a escola pública.
Se eu ganhar 3000 euros e achar que os ricos são outros e esses é que têm de pagar a crise. Sou uma trabalhadora que está a ser vítima de um governo neo-liberal.
Se eu ganhar 3000 euros e achar que temos de cortar na administração pública e Estado Social para ultrapassar a crise, porque os impostos não motivam o trabalho e o investimento e porque os ricos já pagam mais que todos e acho que os impostos são mais injustos do que os cortes, sou rica e uma privilegiada que fala de barriga cheia e era bem feita que os impostos me levassem mais de metade do que eu ganho, para ver se aprendo.
Se eu disser que os ricos têm de pagar a crise e tiver casa comprada em Paris, fizer gastos mensais 3 vezes superiores ao que ganho, e passar férias em Pine Cliffs, AI DE QUEM O MENCIONE porque estou a ser vítima de uma conspiração.
Se eu disser que são necessários cortes na despesa e tiver apartamento em Massamá, um opel corsa e passar férias em Manta Rota, sou um ladrão que só quer é meter para o bolso.
terça-feira, dezembro 30, 2014
Uma sociedade sem classes
Li algures que o objectivo da esquerda era uma sociedade sem classes e quando as pessoas entendessem que era melhor para elas votavam esquerda (isto enquanto se justificava, culpando a direita, o facto de países que levaram a cabo as políticas marxistas não tiveram sucesso).
Ora eu pergunto e peço que pensem bem nisto:
Como é que, NA PRÁTICA, se consegue uma sociedade sem classes? Ou seja, uma sociedade na qual todos têm o mesmo nível de "riqueza"?
Ora para o alcançarmos, agora, teríamos de roubar quem já tem mais e distribuir por todos os outros mesmo que esses outros nunca tenham feito um "pentelho" na vida. E, imaginando que isso é viável, depois de dividirmos tudo, impedimos quem quer enriquecer de o fazer? Como? E se alguém quiser trabalhar mais horas, para receber mais, não recebe? Se não recebe também não trabalha, certo? E, se assim é quem é que vai ter o trabalho de abrir empresas e criar trabalho? Porque se ganho o mesmo esperando que criem o meu trabalho então eu espero que algum parvo o faça. Vai ser o Estado a ter todas as empresas? E quem vai ser o chefe das empresas? Porque eu sei que não quereria a responsabilidade de ser chefe se não ganhar mais por isso... Fazemos cooperativas, é isso? (como as que se fizeram no pós-25/4 que deram no que deram?). E quem é que vai tirar cursos superiores se fica a ganhar o mesmo sem ele? Para quê o trabalho? Então como vamos ter técnicos qualificados? Obrigando as pessoas a estudar para isso e depois a trabalhar por tuta e meia, é isso?
E se eu trabalhar menos recebo menos? se recebo menos os outros ficam mais "ricos" do que eu e passamos a ter classes, certo? então pagamos o mesmo a todos independentemente de trabalharem muito ou pouco? Então para que raio hão-de as pessoas trabalhar mais? Como resolvemos isso? Obrigamos as pessoas a trabalhar? Como? à lei da bala, do chicote ou ameaçando com cadeia?
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segunda-feira, dezembro 29, 2014
A tolerância do comunismo... ou não!
Sempre ouvi a expressão: "os extremos tocam-se". Na verdade não sei se se tocam ou não se tocam, o que sei é que os povos que se vêem forçados a viver dentro de um regime extremista, seja de direita ou de esquerda, sofrem de igual forma.Seja como for, sempre ouvi a esquerda acusar a direita de ser racista, sendo eles auto-denominados de "justos" e "tolerantes". Assim sendo, seria de espantar (eu ficaria admirada se não soubesse o que eles são na verdade) quando lemos que a comissão nacional de defesa norte-coreana, o mais comunista de todos (e infelizmente são muitos) os estados comunistas, denominou o negro Presidente dos Estados Unidos da América de "macaco preto e mau"
"Barack Obama é o principal culpado que forçou a Sony Pictures Entertainment a distribuir indiscriminadamente este filme. Sempre imprudente nas suas palavras e acções, como um macaco preto e mau numa floresta tropical".
Ah os camaradas! Os camaradas do país que Bernardino Soares, do PCP, considera uma democracia.
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sexta-feira, dezembro 12, 2014
Entre a desconfiança e o desinteresse: A abstenção eleitoral nas democracias
Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes.
Por João Bernardo
Os inquéritos sociológicos indicam que a maioria dos participantes em eleições não se ilude quanto à eficácia do sufrágio, por isso vota mais contra um partido ou um candidato do que a favor de outro partido ou de outro candidato. Quer estas pessoas sejam de esquerda ou de direita ou de lugar nenhum, ir pregar-lhes que as eleições são um logro é chover no molhado. Para evocar um exemplo do outro lado do mundo, recordo que nas eleições legislativas realizadas em Madagáscar em 1989 contaram-se cerca de 40% de abstenções, o que a oposição considerou uma vitória, visto que lançara um apelo nesse sentido. Mas como esta taxa de abstenção não parece superior à de outros países onde as oposições apelam à participação no voto, veremos neste artigo que com ou sem propaganda abstencionista não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa. Com efeito, serão raros aqueles que julgam que podem mudar o mundo através do voto. [...] Quaisquer que sejam os espaços possíveis de obter através dos resultados eleitorais, o facto decisivo, a meu ver, consiste na enorme taxa de abstenções.
[...]
É interessante considerar que uma percentagem muito significativa de pessoas prefere mostrar a sua descrença pela democracia representativa pura e simplesmente não votando, em vez de eleger os candidatos de extrema-esquerda que se apresentam em plataformas críticas dessa democracia representativa. A desconfiança atinge todos os que participam nos processos eleitorais, quaisquer que sejam as suas ideologias e o teor dos seus discursos. E assim o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade das democracias. Basta uma aritmética rudimentar para constatarmos que, com 1/3 de abstencionistas, que é uma percentagem bastante comum, o candidato ou o partido que obtenham metade dos votos conseguirão, afinal, o sufrágio de apenas 1/3 do eleitorado. Mesmo quando o número de abstencionistas se reduz a 1/4, o que pode ser considerado como uma taxa de participação elevada, quem alcance metade dos votos conta apenas com 37,5% de aprovação. Que grandes vitórias! Esta perda de legitimidade das democracias não é certamente alheia ao reforço da fiscalização dos gestos mais comuns do dia-a-dia, através dos meios electrónicos de vigilância. O que tem afinal ocorrido é a transformação gradual das democracias representativas em autoritarismos tecnocráticos, e o crescimento das abstenções é um indício deste processo.
Excertos de de um artigo de João Bernardo de Março de 2009
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