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domingo, janeiro 18, 2015

Charlie e a liberdade

Um excelente texto do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada para o Observador. Deixo um excerto, aconselho a leitura na íntegra.

"Quem só se revê nos que pensam do mesmo modo, não ama a liberdade, porque a reduz a um reflexo narcisista da sua própria vontade. Os ditadores também actuam politicamente em função deste enviesamento da liberdade e, por isso, consideram como traidores todos os que não se identificam com a sua ideologia. A cultura da liberdade e da democracia afere-se pela aceitação do outro na sua diferença política, cultural, religiosa e social, sobretudo quando contradiz o que pensamos e somos.

Não sou Charlie, porque não me revejo no seu posicionamento ideológico, na sua intolerância, nem na sua agressividade verbal contra a liberdade religiosa. Não subscrevo o seu fanatismo laicista, nem me agrada a sua linguagem abjecta. Mas também não aceito que haja que optar entre ser Charlie ou não ser Charlie. Essa dicotomia obedece a uma lógica totalitária: também os comunistas e fascistas entendem que todos os seus adversários são, respectivamente, fascistas e comunistas. Porém, não posso ignorar que doze homens perderam a vida num infame atentado. Não me compete ajuizar se os caídos eram santos ou pecadores; basta-me saber que eram seres humanos e, portanto, meus irmãos. E que foram traiçoeiramente assassinados."

quarta-feira, janeiro 14, 2015

500 exemplares do Charlie Hebdo à venda em Portugal na sexta feira

500 exemplares do Charlie Hebdo à venda em Portugal na sexta feira - Expresso.pt: "500 exemplares do "Charlie Hebdo" à venda em Portugal na sexta-feira
Edição desta quarta-feira do jornal satírico só chega a Portugal 48 horas depois da intensa procura registada em França. Importador pediu mais jornais mas só haverá 500 para comercializar."


terça-feira, janeiro 13, 2015

Vergonha e hipocrisia política

Manifestação ou politiquice? Vergonha é, com certeza. Roubando o comentário de Ricardo Veiga no Facebook: "A foto da “manifestação”, divulgada, repetida e matraqueada pelos media de todo o mundo “mostra” chefes de Estado e de governo a encabeçar uma enorme “manif” anunciada como a maior de sempre em Paris (como pode ver na primeira foto aqui reproduzida).
O problema da coisa surgiu quando o ‘Le Monde’ decidiu dar um ar de graça jornalística e mostrar (sem aspas) o que se passou (ver a segunda foto aqui reproduzida): os senhores da política tinham formado um ajuntamento, numa rua fechada e estavam bem longe da enorme manifestação popular de repúdio pelo terrorismo islamista! O divórcio entre eleitores e políticos teve aqui a sua sessão solene de fotografias. E ficou bem registado!
Esta manipulação político-mediática deu, claro, bernarda… E da grossa! Marine Le Pen, cuja presença os organizadores tinham antecipadamente anunciado que não seria permitida, está rir-se… E a usar o disparate para ridicularizar e denunciar a classe política reinante, a UMPS, como ela gosta de dizer. E, claro, nem terá de lhes agradecer os pontitos a mais na sua popularidade que o disparate lhe trouxe, sem que ela tivesse de fazer nada por isso."

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Tout est Pardonné! - Embrulha!

Depois de 12 mortos esta é a capa do próximo número da Charlie Hebdo que estará nas bancas já na próxima 4ª feira.


Somos MESMO todos Charlie! basta que o queiramos ser

Já pensei isto, andava a ver como o havia de escrever, alguém o escreve muito melhor do que eu conseguiria. Aqui fica o texto de António Costa, o director do Económico, sobre "Ser Charlie" e o facto de tantos andarem muito zangados porque "não somos Charlie". Sim somos!

Vai uma grande confusão por algumas cabeças mediáticas, ou um grande cinismo e hipocrisia, o que é ainda pior. Ser Charlie não é concordar com os cartoons do Charlie Hebdo, é discordar, é detestar, é estar do outro lado, e mesmo assim defender a sua existência. E pôr de lado as nossas opções políticas e sociais para estar ao lado de quem foi alvo de um crime. Confundir este princípio absolutamente estruturante da liberdade de expressão com a ideia de que ser Charlie obriga a estar contra a austeridade, ou contra a Alemanha, ou concordar com todos os disparates que se dizem, ou ter a obrigação de dar espaço, por exemplo editorial, a todos os disparates, a todos os humoristas, cartoonistas e afins é outra coisa. É ser anti-Charlie. Não há donos da moralidade, embora pareça que esses querem impor essa moralidade aos outros, e não autorizar que todos sejamos Charlie. Diz muito do que pensam.