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sábado, setembro 05, 2015

6 Perguntas que nos devíamos estar a fazer na questão dos imigrantes ilegais


1- Porquê a Alemanha (e Reino Unido)?

Quem foge de um cenário de guerra procura um cenário de paz. Qualquer país vizinho que estivesse em paz seria o suficiente, talvez até melhor dado que tinham o mesmo estilo de vida, do que a Europa. Caso a Europa fosse o estilo de vida que procuram, qualquer país europeu serviria dado que em qualquer país da Europa se vive muito melhor do que na Síria. Porquê esta insistência em ir para a Alemanha? É uma vontade tão grande que se metem a andar a pé várias centenas de quilómetros, pela autoestrada, com filhos pequenos, só para lá chegar... Porquê? Pode responder-se que querem o melhor e por isso querem o nível de vida da Alemanha, mas não é isso que todos queremos (até alguns alemães)?

2 - Pagam 10 mil euros por pessoa para vir de barco para a Europa, por que não ficam a viver na Turquia com esse dinheiro?

A Turquia também tem leis para protecção de refugiados. Uma vez na Turquia estão num país islâmico, tal como o deles, mas que se encontra em paz, ao contrário do deles. Sendo que pagam 10 mil euros por pessoa para entrar num barco e alguns vêm com mais do que um membro na família, não podemos afirmar que fogem da pobreza. Até para a maioria dos europeus esse valor era difícil de arranjar. Assim sendo, por que não reconstroem a vida, com esses 10/20/30 mil euros, na Turquia?

3 - Se chegam cá pedindo ajuda, afirmando não ter nada, onde arranjaram os 10 mil, ou mais, euros para cá chegar?

10 mil, ou mais, euros não é um valor fácil de arranjar, nem para a maioria dos Europeus. Não devíamos também questionar isso?

4 - Por que é que dois terços dos refugiados são homens?

Não acham estranho que as mulheres e crianças representem apenas um terço de todos os que nos entram pelas fronteiras? Não deveria ser exactamente o contrário? A guerra na Síria é mais penalizadora para mulheres e crianças.

5 - Não deveríamos estar a tratá-los como imigrantes ilegais em vez de refugiados?

Obviamente que não chegam cá directamente da Síria, passam por pelo menos um país antes de colocarem os pés na Europa. Sendo imigrantes ilegais na Europa, não devemos enviá-los para a Turquia para que peçam asilo nesse país e chegarmos a acordos mundiais para aliviar a Turquia, em vez de estarmos a abrir as nossas portas a quem já não está a fugir da guerra, tendo em conta que também na Europa há sem-abrigo e pobreza?

6 - Por que é que os mais ricos países Árabes não os estão a receber?

Falamos de uma crise humanitária. Fazemos a Europa sentir a culpa por não fazer mais e, no entanto, poucos questionam por que é que os países com as mesmas leis e a mesma religião mas com boa qualidade de vida e sem qualquer problema financeiro (como aqueles que a Europa atravessa), não estão a acolher estes refugiados. Talvez esta seja a resposta a esta pergunta (provavelmente a todas as anteriores).


quinta-feira, janeiro 15, 2015

Não podemos permitir um novo holocausto

Ouvia na rádio uma sobrevivente do holocausto e mais uns quantos familiares de sobreviventes que entretanto já morreram. Depois de recordarem o horror que o regime nacional socialista trouxe ao mundo, os senhores da rádio rematam com um: depois dos acontecimentos em Paris, temos todos de ponderar e não permitir que a intolerância religiosa nos leve pelo caminho do holocausto.

Concordando que não podemos permitir que o ódio a uma religião nos leve a matar, indiscriminadamente, as pessoas dessa religião, temos também de compreender que não me lembro de os Judeus, antes da Segunda Grande Guerra, andarem a decapitar pessoas, a matar aos milhares, a atacar locais de culto e de concentração alheia, a matar trabalhadores sentados na suas secretárias, a atacar gente que apenas estava a ir às compras, pelo simples facto de essas pessoas não acreditarem no mesmo que eles.

Concordo que não podemos entrar no ódio cego que nos faz matar, mas não podemos comparar uma situação à outra e não podemos, simplesmente, fechar os olhos ao que se tem passado, recusando qualquer tipo de medida de segurança para não corrermos o risco de sermos considerados "intolerantes".

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Ser o que não se é. A intolerância politicamente correcta

Chegámos a um ponto em que queremos proibir as pessoas até de pensar, enquanto enchemos a boca com palavras como "liberdade" e "tolerância".
Lembro que há pouco tempo um padre foi preso no Reino Unido porque um casal de homossexuais lhe perguntou, directamente, o que ele achava da homossexualidade e o homem deu a sua opinião - é pecado. O casal fez queixa à polícia e o homem foi preso por ser intolerante. Lembro que também há pouco tempo uma apresentadora de TV, se não me engano na Noruega (ou Holanda), foi obrigada a retirar do peito um crucifixo que o seu marido lhe tinha oferecido depois de um espectador telefonar a queixar-se que era ofensivo para a sua religião... É esta a liberdade de expressão, a liberdade religiosa, a tolerância... As pessoas têm de ser livres para pensarem o que quiserem para, nas suas propriedades privadas agirem como quiserem, até para serem intolerantes e racistas desde que não ajam de acordo com o que pensam. Se alguém é racista esse alguém deve ter direito a ser racista. Assim como quem não gosta de racistas tem o direito de não se dar com quem é. Se alguém é homofóbico também deve ter direito de ser homofóbico. Desde que não andem a agredir outras raças e homossexuais ou crentes de outras religiões e deuses, cada qual deve ser livre de pensar e expressar o que pensa, assim como os restantes são livres de não concordar com o que esses racistas e intolerantes pensam e expressam. Ninguém pode, ou ninguém deve, dizer o que cada um de nós tem de pensar.

Não pensem que ao afirmar isto sou a favor deste tipo de comportamentos. Sou contra o racismo, e contra a homofobia, sou também ateia. Mas sou, igualmente, a favor que cada um seja o que é, sem imposições. Se ficar muito aborrecida com as opiniões dos homofóbicos e dos racistas tenho toda a liberdade de, simplesmente, virar-lhes costas, não falar com eles ou dizer-lhes que os seus argumentos são parvos, tal como eles podem dizer que os meus também o são. A tolerância está em sabermos com quem conseguimos ou não conviver, quem conseguimos ou não tolerar e não nos impormos, nem sermos impostos, a ninguém.
Infelizmente existem grupos que têm todos os direitos, têm o direito de se impor, e outros que têm de se calar. Os primeiros são, apesar de tudo, denominados de "minorias" e a "maioria" tem de estar caladinha e aceitar a minoria, ou é acusada de ser intolerante. As maiorias são: Na religião, a católica, essa tem de estar caladinha enquanto as outras, e o ateísmo, podem impor-se; nas raças, a branca, essa tem de estar caladinha enquanto as outras se impõem; na sexualidade, os heterossexuais, esses têm de estar caladinhos enquanto os outros se impõem. Isso não é liberdade - é imposição de uns sobre os outros - é intolerância, é tornar a "maioria" numa minoria sem direito a opinião.