Um excelente texto de Rui Ramos, publicado no Observador. Deixo-vos alguns excertos, vão ler na íntegra: "Hoje, consideramos ofensivo tudo aquilo com que não concordamos ou de que não gostamos. A indignação é uma indústria. Nas redes sociais, milhares de pessoas circulam à espera de serem ofendidas."
"A tolerância e a igualdade desaguaram assim no “direito de não ser ofendido”. Subitamente, a primeira luta de uma “minoria” não é para dispor dos mesmos direitos dos outros cidadãos, mas, em nome de antigas discriminações, adquirir privilégios especiais, tornando-se mais ou menos sagrada e intocável."
"Por isso, a extrema-esquerda ocidental fez-se imediatamente campeã de muitas destas causas, não por qualquer consideração ou estima, mas por simples oportunismo político: à falta de classe operária, servem as minorias de carne para canhão. O “politicamente correcto” é um dos seus efeitos."
"Como disse Michel Houellebecq, o direito à liberdade de expressão não faz sentido, se ao mesmo tempo for proibido dizer isto e aquilo. Mas quer isso dizer que não há limites, como também reclama Houellebecq? Há, claro: os limites da lei."
"Se me caluniarem ou apelarem à violência contra mim ou contra qualquer grupo a que eu pertença, posso recorrer à lei, que protege o direito ao bom nome e à integridade física. Mas se me ferirem o gosto ou a sensibilidade, tenho outra solução: não vejo o filme, não ouço o disco, não compro o jornal, não vou ao site. Exerço a minha liberdade. É a única maneira: outra qualquer receita tiraria todo o sentido à liberdade de expressão, e obrigar-nos-ia a admitir que a experiência histórica das sociedades mais livres de sempre teria servido apenas para apurar que, no fundo, ninguém se dá bem com a liberdade."
"Explain again how sheep's bladders may be employed to prevent earthquakes."
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quarta-feira, janeiro 14, 2015
As origens tolerantes da intolerância de Rui Ramos
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terça-feira, março 11, 2014
Trabalhar não mata...
Belmiro de Azevedo diz que não gosta de estar quieto e "Trabalhar não mata, estar quieto é que provoca obesidade", considerando-se um trabalhador igual aos outros na sua empresa. Sendo que os jornais aproveitaram apenas a frase "Trabalhar não mata, estar quieto é que provoca obesidade" para fazer título e ter as pessoas a destilar ódio. O mesmo aconteceu há poucos dias quando o mesmo senhor falou da falta de produtividade dos portugueses baseando-se nos dados do Eurostat, mas a notícia foi dada como se ele acusasse os seus trabalhadores de fazerem pouco e, claro, lá veio o destilar de ódio pelas redes sociais. Esta mentalidade cansa. Este permanente ódio a quem tem sucesso cansa ainda mais.
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