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domingo, novembro 20, 2016

Dos deploráveis aos "sem dentes".


Há muito que no mundo ocidental as pessoas têm vindo a ficar saturadas de uma série de coisas. A crise dos refugiados, e ataques que se seguiram, foram apenas a gota de água. Há uns anos um padre foi preso por dizer a um casal de homossexuais que, provocando-o directamente aos beijos à sua frente, lhe perguntou se a homossexualidade era pecado e o padre, de acordo com a sua consciência e a sua religião, respondeu que sim. Foi preso por "crime de ódio". O crime dele: seguir a sua religião e ter uma opinião diferente. Não tentou impedir ninguém de nada, não agrediu ninguém. Respondeu, de acordo com a sua crença, a uma pergunta. A meu ver, o crime de ódio foi a prisão ao padre e não a opinião do mesmo. Este é só um caso entre tantos outros. Desde gangues de muçulmanos a violar crianças com a polícia a olhar para o lado para não ser acusada de racismo, ao ataque em Orlando com vizinhos a desconfiar daquele casal muçulmano, mas a não denunciar por medo de serem chamados racistas, aos ataques em Colónia, ao bolo para o casamento gay retirando a liberdade de opinião a quem o recusa fazer, aos "safe spaces" que segregam os brancos e judeus, à proibição dos jornalistas e apresentadores de televisão de usar cruzes porque podia ofender alguém, ao mesmo tempo que se permite usarem hijabs e ai de quem se sinta ofendido. Aos conselhos para que as meninas vistam discretamente para não provocar os muçulmanos ou para que as mulheres se mantenham a um braço de distância de desconhecidos e usem pulseiras a dizer "don't touch" para resolver a crescente onda de violações a que as mulheres europeias ficaram sujeitas. A padres degolados em plena igreja e pessoas
esborrachadas até à morte com um camião, aos polícias a serem emboscados e agredidos em França, às ondas de roubos, vandalismo e destruição de propriedade privada, e "no go zones", entre tantas outras barbaridades que temos tido de enfrentar nos países ocidentais. Tudo isto sempre com os líderes políticos a tentarem manter a "correcção política" no discurso, a condenar quem quer que fosse que usasse a palavra "islâmico" associado ao terror que ocorria, mesmo que os próprios autores se declarassem islâmicos. A acusar aqueles que cada vez mais se sentiam vítimas, passando a ser vítimas não só de agressões físicas, como de ofensas por sequer terem o descaramento de se queixar ou de ficar do lado de quem se queixou. Ofensas de serem o que não eram: racistas. Há poucos dias, inclusivamente, uma jornalista foi despedida por manifestar-se apoiante do Trump e revelar que não gostava do Obama. Passámos a viver assim numa tirania que cada vez mais começou a retirar às pessoas o direito de, sequer, pensar. O medo de pensarem diferente, ou das consequências que sofreriam caso alguém descobrisse, tomou de tal modo conta das pessoas que as sondagens, tanto no Brexit como no Trump, se enganaram todas. Enganaram-se porque as pessoas perderam o direito de manifestar a sua opinião sem serem automaticamente vítimas de um rol de, no mínimo, ofensas (chegando algumas a ser vítimas de agressões).
Neste mundo é natural que discursos que até então não cativavam, pelo perigo escondido de opressão que trazem, passem a cativar. Não é por as pessoas serem racistas, nem fascistas (ainda que os racistas e os fascistas aproveitem para navegar a onda), é porque elas já estão em perigo e já se sentem oprimidas. Os problemas aumentam a cada dia que passa e os políticos habituais em vez de os assumirem continuam nos seus discursos politicamente correctos a recusar os problemas que existem, a recusar reconhecê-los, e, sem reconhecermos um problema não o podemos solucionar. E qual solução de quem tem de viver com o problema e de quem se sente em perigo? Virar-se para quem, pelo menos, o reconhece. É um passo à frente do que qualquer outro fez. Por isso ganhou o Brexit, mas foi mais fácil dizer que foi porque milhões de racistas votaram; por isso ganhou o Trump, mas foi mais fácil afirmar que os seus votantes eram "deploráveis" sem instrução, e se a Le Pen ganhar, será também por isso, mas vamos continuar a chamar a quem votar nela "sem dentes" ignorantes.



quarta-feira, março 11, 2015

Heróis com pés de barro...

É por este tipo de coisas que eu tenho sempre muito receio em colocar os fundamentalistas anti-corrupção, que enchem os noticiários e os programas de televisão cheios de certezas absolutas sobre tudo e mais alguma coisa, em cima de um pedestal. A maior parte, como Marinho Pinto e, aparentemente, Paulo Morais, acaba por saber (ou provar) tanto sobre a corrupção como a maioria dos cidadãos mais ou menos informados. Muitas suspeitas, muitos "de certeza que foi o tipo X ou Y", mas depois provar, não o conseguimos. A diferença é que enquanto uns o fazem no Facebook ou no café, estes senhores fazem a vida a escrever livros, aparições em tudo o que é espaço de jornal e televisão, promovendo a inevitável entrada na cena política. Arranjam um bom tacho, e depois vão diminuindo as críticas e as aparições até acabarem englobados dentro de um partido qualquer.

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Ideologias da fome...

Quando há gente com fome, se o governo for de "direita", culpa-se o governo. Se o governo for de esquerda, culpam-se os grandes empresários, as grandes fortunas, os capitalistas. Se alguém diz que há misericórdias, "sopas dos pobres" e ninguém precisa de passar fome, culpam-se os voluntários, os organizadores de tais associações, pessoas que fazem mais do que estar sentados à frente de um computador a exigir, pessoas que fazem mais do que levantar um punho e gritar. E aqueles que, na maioria das vezes, não levantam uma palha para ajudar seja quem for, exigem direitos adquiridos para si (não para quem tem fome) e que o governo invente emprego, ou "distribua" dinheiro com a desculpa de ser para aqueles que têm fome não terem de ir matá-la aos locais onde lhes dão comida.
E depois, há quem diga a verdade, mas a politicamente correcta esquerda fica muito ofendida.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

Perigos do politicamente correcto

É um pouco assustador que a mesma nação que permitiu a existência disto:

Never be rude to an Arab

Disto:

Prejudice

ou disto:
Are you a gay Christian?

Entre tantas outras coisas, é a mesma onde ISTO se está a passar...

sexta-feira, janeiro 09, 2015

Andamos a ajudar quem?

Vejo frequentemente pedidos de doações de roupas e outros objectos para pessoas necessitadas. Neste pedidos aparece sempre a expressão "em bom estado" (por vezes em letra maiúscula para nós, que vamos doar, não termos a desculpa de não ter visto). Ora, eu não doo roupa em bom estado pelo simples facto que essa eu uso. Não doo porque não tenho dinheiro para estar sempre na moda e uso a minha roupa, independente de modas, até ficar em mau estado, porque tenho outras prioridades para o meu dinheiro muito mais importantes, para mim, do que ter um guarda-roupa novo.

A ideia com que fico é que esses pedidos não são feitos para pessoas necessitadas (quem está necessitado usa uma camisola com uns remendos), os pedidos são para pessoas como eu e muitos dos que agora estão a ler isto. Pessoas que não têm dinheiro a mais para gastar mas que conseguem manter um guarda-roupa, fora de moda, mas que serve para o que a roupa deve servir - para nos manter aquecidos e decentes. Porque pessoas que não conseguem manter um guarda-roupa em bom estado estão, francamente, a borrifar-se para os remendos na roupa, para roupa desbotada ou até para um ou outro buraco. Querem é estar aquecidos e decentes.
A minha pergunta quando vejo isto é: e aqueles que não conseguem manter a roupa em bom estado, e aqueles que só querem mesmo um casaco para se aquecer, não interessa se tem um buraco, quem os ajuda?