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domingo, novembro 27, 2016

"O meu assassino é melhor que o teu"

Na sequência das afirmações da Catarina Martins sobre Castro, revelando que "Foi um grande homem da revolução cubana, uma revolução vitoriosa" e "Erros não podem apagar homenagem a grande revolucionário" (por erros entenda-se assassinatos, perseguições, ditadura, miséria do povo cubano), ou as e Jerónimo de Sousa afirmando que Castro foi "o exemplo de uma vida consagrada aos ideais da liberdade” podemos igualmente afirmar sobre:

Hitler:

Foi um grande homem que reduziu o desemprego de 30% para 0%

Foi um grande homem que aumentou o PIB de 60 para 110

Foi o exemplo de uma vida que, à semelhança da Catarina Martins, do Jerónimo de Sousa e do Castro, que eles admiram, passou a sua vida a lutar contra o capitalismo e o mercado livre

E os seus erros não podem apagar a homenagem ao grande revolucionário que implementou uma importante reforma cultural e social, lutando pela liberdade do povo alemão (tendo em conta o conceito de liberdade defendido por Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins).

Podíamos fazer o mesmo exercício para qualquer ditador. E, para finalizar, afirmo eu:

Existem dois tipos de pessoas: as que abominam qualquer tipo de ditadura e lutam por direitos iguais para todos os cidadãos independentemente da cor, género ou classe social e as que arranjam desculpas para ditadores que atacam o tipo de pessoas que elas consideram inimigos seja por motivos de cor, género e/ou classe social. A Catarina Martins, o Jerónimo de Sousa, o Hitler, o Castro e os admiradores de qualquer um deles estão nesta segunda categoria.


sexta-feira, abril 24, 2015

"Liberdade significa responsabilidade, por isso tanta gente tem medo dela"

Nasci pouco depois do 25 de Abril. Ainda bem. Não gostava de ter nascido antes. Não gostava de viver num país onde tinha medo de abrir a boca. Não gostava de viver num país onde a minha personalidade liberal me levaria à cadeia. Não gostava de viver num país onde as mulheres eram cidadãos de terceira e os homens de segunda. Não gostava de viver num país sem direito de voto ou de opinião. Não gostava de viver num estado anti-liberal e anti-democrático.

A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos. - Winston Churcill

O 25 de Abril trouxe-nos a liberdade de expressão e de voto, valores dos quais não abdico, mas não nos trouxe a liberdade económica nem a liberdade individual. Se antes o Estado era dono do que dizíamos e de todas as decisões, agora o Estado é, dissimuladamente, dono de nós, só não é dono do que dizemos e do que pensamos. Tudo o que "temos" não é nosso, é do Estado, numa dimensão muito superior ao que já acontecia durante o salazarismo. Sobre tudo pagamos imposto numa tentativa ridícula e vã de "igualdade".

Liberdade, Igualdade, Fraternidade... São os valores de Abril, princípios "roubados" à revolução francesa e os que nos têm levado a tomar, umas atrás das outras, decisões que nunca nos irão tornar iguais, que nos tornam cada vez mais egoístas e menos fraternos e, inevitavelmente, nos roubam a liberdade.

Não pode existir liberdade sem existir liberdade económica - Margaret Thatcher.

É este princípio que tem sido negado desde sempre, no nosso país. Não a havia durante a ditadura anti-liberal, não há agora neste período onde a palavra "liberdade" assusta aqueles que se afirmam democratas.
Com o salazarismo havia proteccionismo. O Estado protegia-nos do estrangeiro, protegia o que era nacional, e "protegia-nos" de termos de pensar. Agora há proteccionismo porque o Estado nos protege de nós mesmos, quer queiramos quer não, roubando o nosso poder de decisão e roubando-nos as consequências daquilo que gostaríamos de decidir e não podemos.

Fizemos uma revolução e desenvolvemos o país mais rapidamente (com dinheiro que não era nosso, caso contrário teríamos de demorar mais), deixámos as pessoas falarem e escreverem e andarem livremente na rua. Demos o direito à greve e à manifestação. E tentámos desenvolver, ainda mais, as infraestruturas que já não precisávamos de desenvolver. Ficámos dependentes do emprego estatal, do subsídio estatal, da obra pública. Passámos a sentir que tínhamos o "direito adquirido". Adquirido, nem sabemos como, ou porquê, mas dizemos que sim, que foi para isso que "lutámos" e "derrubámos" barreiras. E um dos direitos que adquirimos foi o direito de ter direitos sem deveres. Fomos 3 vezes à pré-bancarrota. Estivemos 3 vezes sob intervenção externa. 

Alcançámos muitas coisas com o 25 de Abril. O direito à educação gratuita, à saúde gratuita, ao voto, à greve, à manifestação. A protecção laboral. Temos uma das constituições que mais direitos garante... mas não alcançámos uma mudança de mentalidade que muito necessitávamos. Não perdemos o medo da liberdade, nem sabemos a definição da mesma ou de ser democrata e justo. Achamos que ser livre é ter direitos quando ser livre é exactamente o contrário, ser livre é ter responsabilidades e enfrentar as consequências do que decidimos livremente. Ser livre é não ter uma rede que nos segura a queda, mas que também nos impede o voo. Liberdade é algo muito diferente daquilo que os "abrilistas" apregoam. Liberdade é não roubar os outros porque nos achamos no "direito" de ter tanto quanto eles. Liberdade é, como disse Margaret Thatcher, o direito do homem de trabalhar de acordo com a sua vontade, de gastar aquilo que ganha, de ser proprietário, de ter o Estado como seu servidor e não como seu dono. Esta é a essência da liberdade, da livre economia "e todas as outras liberdades dependem desta". Só compreendendo isto poderemos fazer "cumprir os valores de Abril".

Liberdade significa responsabilidade, por isso tanta gente tem medo dela. - George Bernard Shaw

sábado, março 21, 2015

Liberdade de expressão, república e Monarquia


"Historicamente a república tem vindo a criar problemas à liberdade de expressão. Senão Vejamos:Na república inúmeros jornais foram proibidos, 'empastelados', assaltados. Até jornalistas e ardinas foram presos.Na II república a censura prévia foi oficializada.Na III república apenas um exemplo paradigmático: o "caso TVI".Sobre a Monarquia Constitucional 'oiçamos' Eça de Queiroz nas "Farpas", fascículos mensais cujo lema era 'para baixo': Jornal de luta cruel, incisivo, cortante e sobretudo jornal revolucionário". Não houve qualquer censura ou apreensão. Estávamos em 1871. Concluindo com Eça de Queiroz, agora através de Fradique Mendes: "É preciso ver a 'real realidade das coisas'"

Clara Constanço Stichaner

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Passos rejeita ser responsabilizado se "algum desastre" acontecer à Grécia

Passos rejeita ser responsabilizado se "algum desastre" acontecer à Grécia - JN: "O primeiro-ministro afirmou que o Governo português está disponível para "ajudar a Grécia a prosseguir um caminho que lhe permita reestabelecer os seus equilíbrios e crescer" e considerou que os gregos "merecem o melhor resultado", reiterando: "Mas não aceito que se venha dizer que, se alguma coisa não correr bem na Grécia, é porque os governos europeus ou a Comissão Europeia não aceitam as propostas do Governo grego".

"Porque, se a noção de responsabilidade for essa, então fazemos todos aquilo que queremos e aquilo que nos apetece e depois esperamos que alguém pague as nossas escolhas. Nós somos livres para escolher como queremos, e somos adultos para escolher também as consequências das responsabilidades das nossas decisões"[...] "a Grécia tem hoje mais tempo para pagar a sua dívida" do que Portugal e a Irlanda, "tem carência de pagamento de juros durante dez anos, só os vai pagar a partir de 2022" e "teve também perdão de juros".[...]"E eu respeito as decisões do povo grego, como respeitarei as decisões do Governo grego, como eu espero que na Grécia se respeite as decisões do Governo português e do povo português. Não há uma forma mais solidária nem menos solidária. É assim""




terça-feira, janeiro 20, 2015

Um gesto abominável que deu importância à insignificância

Num mundo com sete mil milhões de pessoas há um país com 65 milhões de habitantes que edita uma revista com uma tiragem de 60 mil números. Ou seja, num mundo de sete mil milhões de pessoas havia 60 mil alminhas que compravam uma revista que quase todos os outros consideravam de mau gosto.
Mas o mau gosto tem o direito de existir, ou deve ter.

Essa revista de mau gosto gozava com o que muitos consideram sagrado. Tinha cartoons que muitos consideram nojentos. Era lida por uma minoria ínfima da população e a grande maioria das pessoas ignorava a sua existência ou, simplesmente, optava por ignorar a sua presença. Não interessava. Não tinha piada para a grande maioria da população. Tinha até vários cartoons que metiam nojo à grande maioria da população... É assim que o mundo funciona. As coisas existem. Algumas são-nos visualmente desagradáveis, outras ao ouvido, outras pelo cheiro, etc. Por norma, aquilo que nos desagrada e incomoda até pode perturbar-nos por uns instantes, deixar-nos o "coração na boca", mas somos suficientemente crescidinhos, civilizados, para respirar fundo e passar à frente; ignorar o que nos perturba, porque é mesmo só isso que faz: perturba. Vai contra a nossa opinião, as nossas crenças ou ideologias e levamo-lo a peito - por uns instantes. Uns instantes apenas. Somos, na maioria, crescidinhos e conseguimos conviver com quem tem crenças e ideologias diferentes das nossas. Conviver ou, simplesmente, ignorar.

Mas nem todos são assim.

Existe um grupo de pessoas para quem aquele "coração" nunca sai da boca. Para quem aquela perturbação se transforma numa fúria, numa raiva, que os leva a querer eliminar todos aqueles que vão contra as suas crenças ou as suas ideologias. E não sabem, nem querem saber, conviver com qualquer pessoa que tenha uma opinião, por mínima que seja, diferente da sua. E não se adaptam ao mundo, exigindo que o mundo se adapte a si. São os ditadores em potência. E aqueles desenhos que 60 mil pessoas compravam, e dos quais poucos mais que isso riam, foram razão suficiente para matar quem tinha "um lápis na mão". E aquela revista, ignorada pela grande maioria da população mundial, passou a ser do conhecimento dessa mesma população. E aquela revista sem importância, que muitos consideram de mau gosto, que satiriza com aquilo que os assassinos (e os defensores dos mesmos) consideram sagrado, passou a ser do conhecimento da quase totalidade do 7 mil milhões de pessoas que o mundo tem... e aquela revista que tinha uma tiragem de 60 mil números, que 60 mil alminhas compravam e à qual um número irrisório de pouco mais que isso achava graça, passou a ser defendida pela grande maioria, e comprada por 7 milhões de almas. E aqueles homens que tinham um lápis na mão, que gozavam com o que para muitos era sagrado, que eram desconhecidos da grande maioria das pessoas que vivem no mundo, tornaram-se símbolos de liberdade, tiveram os seus nomes escritos por jornais de todo o mundo, "ouviram" sinos a soar por si, deram origem a manifestações. E aqueles cartoons com os quais a grande maioria nem concorda, transformaram-se num direito, numa demonstração de "não cedência". Porque já vamos cedendo em não mostrar outros símbolos religiosos, porque a nós não nos incomoda dado que a maioria ocidental é ateia, mas agora exigem que deixemos de desenhar e, se cedemos, amanhã mata-se uma mulher que vá na rua com calças porque isso também os ofende e de seguida vamos fechar todos os bares e proibir o álcool, ou os sinos das igrejas vão ser proibidos de soar porque os ofende... E, com este gesto, com esta violência, aqueles que se ofenderam com os desenhos que pouco mais de 60 mil pessoas viam, tornaram-nos conhecidos para quase 7 mil milhões de pessoas, fizeram-nos perceber que existe um número significativo de extremistas que querem que recusemos a nossa cultura para não ofender a sua, levaram o mundo inteiro a comentar e deram visibilidade mundial àquilo que não queriam que fosse visto.

Resta saber se, depois da "ressaca" dos ataques, vamos ceder mais um bocadinho ou vamos mostrar que "basta!": Esta é a nossa cultura, são os nossos países. Não gostamos de tudo, temos muitos defeitos, há coisas das quais nem todos gostamos, mas convivemos com isso. Há pessoas que riem de coisas de mau gosto. Mas é preferível concordar que existam pessoas a rir de um desenho de mau gosto, do que concordar que uma criança rebente e mate dezenas à sua volta, que uma mulher que seja violada só porque usava rímel ou que um jornalista seja degolado para transmitir a mensagem que todos os que não acreditam no mesmo que nós podem ter esse destino.
No nosso mundo ocidental temos muitos defeitos mas, regra geral, aprendemos a conviver uns com os outros e aceitamos que todos para aqui venham viver as suas culturas e ter as suas crenças, desde que não nos exijam que abdiquemos das nossas e da liberdade que temos vindo a conquistar ao longo dos anos.

quarta-feira, janeiro 14, 2015

As origens tolerantes da intolerância de Rui Ramos

Um excelente texto de Rui Ramos, publicado no Observador. Deixo-vos alguns excertos, vão ler na íntegra: "Hoje, consideramos ofensivo tudo aquilo com que não concordamos ou de que não gostamos. A indignação é uma indústria. Nas redes sociais, milhares de pessoas circulam à espera de serem ofendidas."

"A tolerância e a igualdade desaguaram assim no “direito de não ser ofendido”. Subitamente, a primeira luta de uma “minoria” não é para dispor dos mesmos direitos dos outros cidadãos, mas, em nome de antigas discriminações, adquirir privilégios especiais, tornando-se mais ou menos sagrada e intocável."

"Por isso, a extrema-esquerda ocidental fez-se imediatamente campeã de muitas destas causas, não por qualquer consideração ou estima, mas por simples oportunismo político: à falta de classe operária, servem as minorias de carne para canhão. O “politicamente correcto” é um dos seus efeitos."

"Como disse Michel Houellebecq, o direito à liberdade de expressão não faz sentido, se ao mesmo tempo for proibido dizer isto e aquilo. Mas quer isso dizer que não há limites, como também reclama Houellebecq? Há, claro: os limites da lei."

"Se me caluniarem ou apelarem à violência contra mim ou contra qualquer grupo a que eu pertença, posso recorrer à lei, que protege o direito ao bom nome e à integridade física. Mas se me ferirem o gosto ou a sensibilidade, tenho outra solução: não vejo o filme, não ouço o disco, não compro o jornal, não vou ao site. Exerço a minha liberdade. É a única maneira: outra qualquer receita tiraria todo o sentido à liberdade de expressão, e obrigar-nos-ia a admitir que a experiência histórica das sociedades mais livres de sempre teria servido apenas para apurar que, no fundo, ninguém se dá bem com a liberdade."

O direito a abortar porque sim

Há um debate no Reino Unido sobre uma das razões que estão a levar as mulheres a abortar: o sexo do bebé. Agora que se consegue ver o sexo cada vez mais cedo há mulheres que abortam porque descobrem que o bebé tem o sexo errado. É menino e elas queriam uma menina, ou o contrário. Ao liberalizarmos o aborto, damos às "mães" a liberdade de matarem o seu filho porque não é aquilo que elas queriam... Por cá não se debate, mas também acontece.

terça-feira, janeiro 13, 2015

Islamismo: A ofensa de desenhar o profeta

Acabado de ouvir da boca de um muçulmano:

"Não fico ofendido com caricaturas do Profeta. Amo o Profeta, mas a minha fé é suficientemente grande para saber que o Profeta é superior a todas as imagens negativas que possam desenhar Dele".


Vergonha e hipocrisia política

Manifestação ou politiquice? Vergonha é, com certeza. Roubando o comentário de Ricardo Veiga no Facebook: "A foto da “manifestação”, divulgada, repetida e matraqueada pelos media de todo o mundo “mostra” chefes de Estado e de governo a encabeçar uma enorme “manif” anunciada como a maior de sempre em Paris (como pode ver na primeira foto aqui reproduzida).
O problema da coisa surgiu quando o ‘Le Monde’ decidiu dar um ar de graça jornalística e mostrar (sem aspas) o que se passou (ver a segunda foto aqui reproduzida): os senhores da política tinham formado um ajuntamento, numa rua fechada e estavam bem longe da enorme manifestação popular de repúdio pelo terrorismo islamista! O divórcio entre eleitores e políticos teve aqui a sua sessão solene de fotografias. E ficou bem registado!
Esta manipulação político-mediática deu, claro, bernarda… E da grossa! Marine Le Pen, cuja presença os organizadores tinham antecipadamente anunciado que não seria permitida, está rir-se… E a usar o disparate para ridicularizar e denunciar a classe política reinante, a UMPS, como ela gosta de dizer. E, claro, nem terá de lhes agradecer os pontitos a mais na sua popularidade que o disparate lhe trouxe, sem que ela tivesse de fazer nada por isso."

segunda-feira, janeiro 12, 2015

Pela liberdade de expressão e religiosa

Ontem, em França, mais de 4 milhões de pessoas marcharam contra o terrorismo e a favor da liberdade. Só em Paris estiverem mais de 1 milhão de manifestantes.
Juntos pela paz e pela liberdade em geral estavam chefes de Estado e primeiros-ministros de mais de 40 países, entre eles adversários como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas que se encontravam na mesma linha, separando-os apenas 4 pessoas, porque lutar lado a lado contra o terrorismo é mais importante do que qualquer desavença que têm nos restantes dias.

Desde que ocorreu o atentado à Charlie Hebdo muito se tem escrito e opinado. Desde o momento em que tal aconteceu que tenho lido, de diversas pessoas, a opinião: "Deviam proibir as religiões todas". Não sei se essas pessoas conseguem compreender o quão se assemelham aos terroristas que matam para proibir o ateísmo e todas as religiões, excepto a sua. O direito de acreditar em Deus (ou no pai natal, em fadas, em duendes, em cartomantes, no tarot, na astrologia, no que se quiser) é igual ao direito de não acreditar. O direito a ir ao templo, rezar, e seguir rituais é igual ao direito de ir, por exemplo, à festa do avante, cantar o "avante camarada", gritar "assim, se vê a força do PC" e abanar a bandeira do PCP (seguir rituais).
Ninguém tem o direito de dizer que os outros devem deixar de acreditar ou que se deve proibir Deus na vida das pessoas. Cada qual alcança conforto como bem entende e Deus, a religião, é tão importante para umas pessoas, como os festivais de verão, a festa do Avante, as férias, o dia de ano novo, para outras.

A marcha de ontem foi histórica e serviu para isso mesmo: Para mostrarmos que não temos medo. Não temos medo de acreditar no que acreditamos ou de não acreditar em nada. Não temos medo de rezar. Não temos medo de desenhar. Não temos medo de escrever. Temos esse direito. Ninguém tem o direito de invadir a nossa liberdade tal como nós não temos de invadir a dos outros. A religião, seja ela qual for, não faz mal a ninguém; Os homens fazem.


quarta-feira, março 26, 2014

Viva o Socialismo!

Vendas em sites e redes sociais na mira do fisco
A Autoridade Tributária e Aduaneira está a vigiar as vendas feitas através de sites e de redes sociais. O objetivo é detetar pessoas que fazem disto uma atividade regular sem estarem registadas fiscalmente para o fazer ou procederem ao pagamento dos impostos devidos, nomeadamente IVA e IRS.


Enquanto vivermos numa sociedade tendencialmente socialista (e não tendencialmente liberal), nada do que é nosso é, verdadeiramente, nosso. Por isso temos de pagar imposto de selo para um carro que é "nosso", IMI para uma casa que é "nossa" e, se queremos vender qualquer um dos objectos que, supostamente, são nossa propriedade privada, e pelos quais já pagámos IVA na altura da compra, temos de dar uma percentagem da venda ao Estado porque nada é nosso, nem o que compramos, nem o que criamos com as nossas mãos e criatividade. Viva o socialismo!




sexta-feira, janeiro 31, 2014

"Um país que perdeu referências morais tem as praxes que merece"


Deixo excertos, mas vão ler este artigo que José Manuel Fernandes escreveu no Público por inteiro. A crónica foi escrita por um anti-praxe mas eu, a favor da praxe, subscrevo: "Este país é assim. Ninguém sabe exactamente o que se passou naquela noite no Meco em que uma onda arrastou para a morte seis jovens estudantes, mas em nome do que talvez se tenha passado discute-se acaloradamente se as praxes académicas devem ou não ser proibidas. É a nossa velha tendência para achar que uma proibição resolve tudo, e que uma lei muda o país e as pessoas. [...] O que nos indigna é a alarvidade, o sadismo, o sexismo, a porcaria, a violência. Só é pena que não indignemos também por a alarvidade se ter tornado cultura dominante e aceite, por encher a programação das televisões, por ganhar às vezes estatuto de arte [...] Vivemos numa sociedade onde a boa educação é vista como uma coisa antiquada, onde a ideia de cavalheirismo é vilipendiada como sendo reaccionária, onde o insulto grotesco é mais depressa visto como um exercício de liberdade do que como um abuso, onde a exibição pública das misérias da natureza humana garante audiências no prime-time das televisões, onde se aceita essa estranha “normalidade” de as claques dos clubes só se deslocarem rodeadas por polícias, onde se perdeu a noção de que há uma diferença entre vícios e virtudes e reina um relativismo que faz com que tudo se torne equivalente. [...] Há aqueles que acham que uma sociedade se molda a talhe de sucessivas investidas legislativas, e por isso já por aí andam a pedir leis e regulamentos. Eu acredito mais nas pessoas e nos combates culturais e morais. Os excessos que existem são crime e como crimes devem ser tratados. Mas o que nas praxes é reflexo da rasquice dominante e da amoralidade pós-moderna não se ultrapassa a não ser começando por dizer que não toleramos a degradação dos valores da civilidade, uma degradação que nos toca todos os dias. Quem é que, por exemplo, ainda se levanta num transporte público para dar o lugar a uma pessoa idosa? É que isso custa um pouco mais do que o único acto de boa educação que parece resistir entre os portugueses, o de dar aos outros a passagem à entrada do elevador... Quem pensa que se pode viver bem em sociedade sem valores e sem referências morais, à vontade de cada um, sempre a pensar no prazer imediato e irrestrito, só pode esperar uma sociedade reduzida ao código das praxes. É isso que gostava que também estivéssemos a discutir."