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sábado, maio 09, 2015

Palavras de António Costa

Com a autoridade que lhe garante a candidatura a Primeiro Ministro deste país, António Costa afirmou hoje em entrevista ao DN:

«Espero que ninguém pense em comprar mais de 49% da TAP»

E:

«Que ninguém se atreva a pensar na compra da Carris ou do Metro contra a Câmara de Lisboa.»

E ainda:

«Se for possível, é desejável voltar às 35 horas de trabalho semanal já em 2016.»

Eu não tenho qualquer autoridade, mas gostaria de afirmar:

«Espero que ninguém pense em cobrar-me impostos para pagar mais de 49% da TAP»

E:

«Que a Câmara de Lisboa não se atreva a pensar cobrar ao resto do país impostos para manter a Carris e o Metro públicos para benefício exclusivo dos habitantes e trabalhadores de Lisboa.»

E ainda:

«Se for possível, é desejável não cobrarem mais impostos aos privados que trabalham 40 ou mais horas para voltarem a dar 35 horas de trabalho semanal já em 2016, para benefício exclusivo dos funcionários públicos.»


quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Para os rancorosos dos "direitos adquiridos"

"Se te ensinarem a sentir rancor e raiva vais sentir-te como uma vítima. Vais sentir-te prejudicado e, por isso, vais sentir que te devem direitos. Em seguida sentes que alguém te deve alguma coisa e, por isso, não tens de trabalhar para obter o que te é devido e entras num péssimo caminho para lado nenhum porque há pessoas que vão jogar com o teu sentimento de que és vítima, que foste prejudicado e tens direitos e não farás nada para melhorar a tua vida."


 Condoleezza Rice

sábado, dezembro 27, 2014

Os Dois Países por Miguel Sousa Tavares



Caminhamos para um confronto civil entre dois países dentro da mesma nação: o país dos que apenas pagam os custos do Estado, na proporção dos seus rendimentos, e sem pouco ou nada esperar dele em troca, e o país dos que pagam (e, muitas vezes, não pagam) os custos, mas esperam tudo em troca. Não somos originais na existência des­tes dois mundos, o independente e o dependente, mas somo-lo na situação de confronto entre eles para que todos os dias caminhamos. Porque, entre uma di­reita liberal que odeia a própria noção de Estado e que, se pudesse, reduzia-o apenas às Forças Armadas e à política externa, e uma esquerda obtusa que acha que ainda vive no pós-guerra e no baby boom e para quem qualquer recuo do Estado é uma afronta ideológica, há, e fatalmente terá de haver, espaço para um compromisso mútuo. E esse compromisso terá de assentar em ideias, mas também em factos. Ao contrário do que os liberais gostam de imaginar, não existem mundos perfei­tos onde todos os que têm valor e se esfor­çam não precisam do Estado para nada: pelo contrário, o que existe, naturalmen­te, são condições de desigualdade estrutu­rais — que começam no berço, conti­nuam na escola e em casa e prolongam-se para a vida profissional. O Estado não pode, pois, demitir-se da sua função de correcção das injustiças pré-existentes e, não o conseguindo, acorrer aos que, sem ajuda e sem protecção, não têm o míni­mo de condições de dignidade de vida: é para isso que pagamos impostos. Mas se o Estado não pode abandonar os que na­da mais têm, também não pode, como gosta de imaginar alguma esquerda, acor­rer a todos, mesmo aos que, tendo-se ha­bituado a viver protegidos, não fazem ne­nhum esforço e não têm qualquer desejo de não precisar de ajuda. Não pode, por­que não tem meios para tal e cada vez vai ter menos. As circunstâncias demográfi­cas, a evolução da esperança de vida, a sofisticação crescente dos recursos médi­cos, a globalização da produção e dos mercados (que, convém recordar, reti­rou centenas de milhões de pessoas da miséria), faz com que os países do welfare state já não possam sustentar, intoca­do, o maravilhoso catálogo de direitos so­ciais que a todos era garantido, quando eu, por exemplo, entrei no mercado de trabalho. Hoje sei, todos sabemos, que a geração de reformados que agora protes­ta contra os cortes nas suas pensões tem muito melhores condições de reforma do que o que eu irei ter e seguramente mui­tíssimo melhores do que aquelas que irão ter os meus filhos — se ainda houver di­nheiro para lhes pagar qualquer pensão. Nos primeiros dez anos deste século, a percentagem do PIB que Portugal gasta a pagar as pensões de reforma quase du­plicou, passando de 9,5% para 18%, e a relação entre trabalhadores activos, con­tribuintes do sistema, e beneficiários, que há uns vinte anos era de 3 para 1, hoje é de 1,4 para 1. Estamos perante uma pro­gressão aritmética (as receitas do Esta­do) a concorrer com uma progressão geo­métrica (as despesas sociais do Estado). E, que eu me lembre da matemática, ja­mais a primeira conseguirá alcançar a se­gunda. Isto não são ideias, são factos, e é sobre os factos que se deve raciocinar. 
Mas há uma cultura instalada de depen­dência do Estado que não autoriza, se­quer, que se raciocine. Vem de muito lon­ge, mas foi cimentada com o salazaris­mo, o gonçalvismo e o Portugal dos di­nheiros europeus. Volto a dizer que subs­crevo quase todas as críticas à política de combate à crise das dívidas soberanas que são feitas à troika, à UE e à Alema­nha, e que conseguiram juntar a uma cri­se financeira dos Estados uma crise eco­nómica das nações. Mas, independente­mente das razões de queixas externas que temos, nada — a não ser a demago­gia dos políticos, sufragada pelo comodis­mo dos eleitores — nos pode dispensar de olhar para as responsabilidades próprias na tragédia que nos aconteceu e que só irá piorar, se insistirmos em meter a cabe­ça na areia e repetir até à náusea que a culpa é "deles" (essa entidade semiabstracta que deveria ser capaz de fazer nas­cer petróleo nas Berlengas e euros na de­funta Casa da Moeda, onde antes nas­ciam escudos).
Olhar para as responsabilidades pró­prias significa, hoje e nesta conjuntura, encontrar um compromisso para um Es­tado, que assegure o essencial a todos e mais do que isso apenas a uma minoria. Fazendo-o com os meios razoáveis ao seu dispor e não à custa da ruína do país. Isso passa por reformar o Estado, reduzi-lo na sua dimensão e funções? Com certeza que sim, mas antes um Es­tado diminuído do que um país falido. E passa por rever a Constituição? Com cer­teza que sim, mas antes uma Constitui­ção revista e menos populista do que um país de desempregados e emigrados, no pleno gozo de todos os direitos constitu­cionais imagináveis.
Olho, por exemplo, para os mais recen­tes focos de contestação sócio-profissional, e constato que todos os sectores ac­tivos estão ligados ao Estado: os trans­portes públicos — o cancro financeiro das contas públicas e a tropa de choque da CGTP, sempre disponíveis para as greves e para a luta pela manutenção de alguns privilégios impensáveis no sec­tor privado; os professores a mando da Fenprof, que já ninguém se incomoda sequer em saber o que os incomoda, porque tudo os incomoda; os magistra­dos e a PJ (que, com um carro por cada dois agentes e uma sede sumptuosa à beira da inauguração, protestam contra as "condições de trabalho"); as Forças Armadas, que acham pouco 5000 pro­moções num ano e num país onde há anos ninguém mais é promovido e que continuam a sua luta para nos conven­cer de que uma apendicite de um mari­nheiro não pode ser tratada no mesmo hospital que a apendicite de um artilhei­ro ou de um mecânico de aviões, e que acabam de fazer a escandalosa desco­berta de que têm de esperar por uma consulta, como se fossem utentes do SNS. A todos eles apetece repetir a céle­bre frase de Vítor Gaspar: "Não há di­nheiro. Qual destas três palavras é que não perceberam?".
Mas, entre os milhares de empresas que foram à falência desde que a crise co­meçou, não há uma só empresa ou servi­ço público. Não há um funcionário do Es­tado despedido entre os mais de 600.000 portugueses desempregados. E, entre os 100.000 que se estima que terão emigrado este ano, não há um servi­dor do Estado que o tenha feito depois de perder o emprego. No Estado, nada se extingue, nenhum trabalhador efectivo é dispensado, não há lay-off, as horas ex­traordinárias são sempre pagas e as redu­ções salariais têm de passar pelo Tribu­nal Constitucional. Não sou, como acima disse, um adversário ideológico do Esta­do e, menos ainda, penso que os trabalha­dores do Estado sejam piores do que os outros: pelo contrário, nada me provou até hoje a verdade dessa crença. Mas não há maior mentira acerca desta crise do que dizer que são os trabalhadores do Es­tado que têm pago o grosso da factura. E até seria natural que assim fosse, pois quem faliu e quem necessita de reduzir despesa é o Estado e não a economia. Mas quem tal diz, ignora por completo o que sejam os inúmeros dramas que suce­dem "cá fora" e a ginástica que tantos fa­zem para sobreviver todos os dias, sem qualquer tribunal que os proteja e sem voz que chegue à imprensa. Tomara uma pequena parte que fosse dos quase qua­tro milhões de trabalhadores do sector privado deste país poder arriscar uma greve "por melhores condições de traba­lho"! Onde isso já vai!
Ou nós controlamos o "monstro" de uma vez por todas ou ele nos arrasta a todos para o fundo. Quem diz o contrá­rio, mente. E foi essa mentira continua­da que nos trouxe até aqui.

Artigo publicado no Expresso a 9/11/2013 (http://expresso.sapo.pt/os-dois-paises=f840039
 
)

domingo, dezembro 14, 2014

Pergunto-me muitas vezes como é que é possível que cada aluno público custe mais ao Estado (a todos nós) do que a mensalidade dos alunos em muitas escolas privadas... a resposta está em notícias como esta:

 "Ex-funcionária de secundária confessa desfalque de 400 mil euros
O tribunal de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, começou hoje a julgar uma antiga funcionária da escola secundária local que confessou ter desviado mais de 400 mil euros, num esquema que envolve mais cinco arguidos."

Quando o dinheiro é "público" a tentação é muita. Quando o dinheiro é "público" não se olha a competências, olha-se a compadrios.

Sim, por favor, mantenham-se muitas empresas públicas, quantas mais melhor para que o controlo seja ainda mais complicado...

Já agora voltem a colocar no governo aqueles que mantiveram uma justiça completamente cega em vez destes que lhe estão a tirar as vendas. Assim é que Portugal tem futuro. Pelo menos têm futuro todos os chicos-espertos e corruptos... já os honestos o melhor é emigrarem.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

"Reportagens" TVI


Ana Leal e as suas mentiras

Não concordando com o tom deste artigo, o facto é que mostra bem aquilo que já me fartei de dizer: A Ana Leal mente. A Ana Leal tem teorias e tem o poder de ter a televisão acessível para as fazer passar por verdade. Já não é a primeira "reportagem" de tal "jornalista" onde vejo o ridículo. outra foi aquela que toda a gente comeu como verdade a do financiamento público do ensino privado. Cheia de mentiras. mentiras como, por exemplo, afirmar que uma escola privada tinha sido construída com dinheiro público numa área onde já havia escola pública, sendo que a escola privada a que a fulana se referia era do tempo do Salazar e a pública era bem posterior... Mente. Mente com todos os dentes que tem. inventa e agora até vai buscar "estupidez" a foruns e passa a estupidez como verdade e as pessoas comem! e já vejo gente, que devia ser inteligente, a dizer que os miúdos seguiram um livro qualquer que ela inventou, a falar em coisas que ela inventou como se fossem verdade absoluta. Não censuro que esta mentirosa esteja na televisão, censuro que tanto povo continue a comer a bosta que esta televisão e esta mentirosa atiram...