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domingo, dezembro 27, 2015

Obrigada Elodie!

O David Duarte morreu. Tinha 29 anos e morreu à espera que o viessem operar. Foi transferido de urgência porque o seu estado não podia esperar, mas esperou. Esperou até morrer. O David Duarte morreu porque os médicos não vieram.

As culpas e as acusações somam e seguem. São os médicos que não pensam nos doentes e que deviam ir, mesmo que fosse de graça. Porque, aparentemente os médicos têm de ser escravos. É o anterior ministro que fez cortes cegos. É a administração do hospital que não soube orientar-se a favor dos doentes, mesmo dentro dos cortes cegos. Entretanto, devido a este caso, três administradores despediram-se.

Antes da morte do David Duarte outras 4 pessoas morreram nas mesmas condições. Antes do David Duarte o país não soube de nada. Mas os administradores souberam. Aqueles que agora se despediram, permaneceram nos seus empregos durante 4 outros casos iguais. Despediram-se apenas agora, porque agora se soube. E soube-se porque umaa jovem de 25 anos, a Elodie Almeida, namorada do David Duarte, na sua dor, escreveu. Escreveu e a sua carta tocou o coração de algum jornalista, que a divulgou e tocou todos nós. Elodie Almeida é o nome mais importante neste caso. Poucos a mencionam após a divulgação da carta, mas, graças a ela, o Hospital de S. José voltou a ter urgências de neurocirurgia ao fim-de-semana. Graças a ela mais nenhum "David" terá de esperar até morrer.

sábado, abril 25, 2015

Médicos fogem ao SNS... Pois pudera...

Noticias ao Minuto - Há cada vez mais médicos a deixar o SNS:


Já o disse diversas vezes, em diversos meios. Todos os profissionais devem ter força de negociação com o patrão e o patrão não deve ter mais poder legal que o funcionário, nem o funcionário deve ter mais poder legal que o patrão.
Infelizmente em Portugal os funcionários públicos têm mais poder que o patrão - o Estado (todos nós), consequências da constituição socialista, e isso leva a desequilíbrios e a falsas importâncias.
Quando temos motoristas, maquinistas, revisores, professores, hospedeiras, administrativos e tantos outros a fazerem greve porque querem que o patrão estado lhes ofereça melhores condições (condições essas que, nas suas profissões, não encontram no privado); temos um estado refém dessas vontades por estar impedido de substituir um funcionário descontente por um que aceite as condições que o outro rejeita (não falo em eliminar postos de trabalho e sim em substituir um por outro), ficamos também com um estado sem margem de manobra para negociar melhores condições para aqueles profissionais que podem, simplesmente, bater a porta e ir embora. Profissionais, de facto, difíceis de substituir, de facto valiosos, e que encontram melhores condições noutros lados  (seja no privado, seja no estrangeiro), como os médicos... Perde a saúde pública, essa área fundamental, e, consequentemente, perdem (e pagam) todos os portugueses.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Temos falta de médicos? Estou com o sindicato. Que se pague mais.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendeu hoje que a falta de médicos nas urgências hospitalares resolve-se com o recrutamento de recém-especialistas e com salários atractivos, depois de conhecidos casos, alguns fatais, de esperas de várias horas.

Sou liberal. Como liberal que sou penso que o mercado se auto-regula e a única intervenção que se deve ter nele é para evitar ilegalidades.
Há falta de médicos... ou melhor, não há. Há má distribuição de médicos. Formamos, na verdade, médicos suficientes para as nossas necessidades (fossem todos os cursos como medicina, em que não não há nem a mais, nem a menos), mas os médicos, depois de formados, não querem ficar em exclusividade na saúde pública, trabalhando igualmente em diversas clínicas (e bastantes exclusivamente em clínicas). Vejo duas soluções para isto. A primeira é: Ou se assina um contrato com os estudantes de medicina que, em troca do curso que lhes pagamos, no qual investimos, eles são obrigados à exclusividade durante X anos (e logo aí se estabelece o valor máximo e mínimo a ser-lhes pago) ou se eles quiserem praticar no privado têm de pagar o cursos do seu bolso, ou parte dele para terem redução de anos de exclusividade. A segunda é aquela que propõe o Sindicato. Se temos falta de médicos na saúde pública porque eles conseguem ganhar melhor no privado, então a oferta que se está a fazer aos médicos, a nível público, é insuficiente. Temos de oferecer-lhes mais para os atrair para a saúde pública.

Claro que, para fazermos isto, enquanto país com falta de dinheiro, teríamos igualmente de ter a liberdade de oferecer menos aos enfermeiros, aos professores, e a todos os profissionais que temos "a mais" e que conseguimos arranjar facilmente mesmo pagando menos... a tal lei da oferta e da procura, a auto-regulação... o mal é que temos regulado o mercado artificialmente. Oferecemos muito quando podemos oferecer menos, oferecemos pouco quando devíamos oferecer mais. Claro que temos também de ter mecanismos para os penalizar em caso de abusos (como me parece que tem havido), ou seja a tal regulação para evitar ilegalidades.

O politicamente correcto virá afirmar que os médicos não são mais que os professores... mas a nível de mercado, de necessidade, são... são mais difíceis de arranjar, logo têm de ter um salário muito maior...