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quinta-feira, janeiro 22, 2015

Nivelar por baixo para sair por cima...


"São todos iguais..."
"É tudo a mesma m****a!"
"Querem é poleiro..."

Todos nós ouvimos com frequência este tipo de frases feitas para classificar os políticos, para justificar a abstenção ou o desinteresse em relação aos destinos políticos do país, da Europa etc.
Admito que é coisa que me irrita desde muito jovem. Isto porque, como liberal, recuso-me a aceitar que todos os homens são iguais, que todos têm as mesmas virtudes e defeitos. Seja na política ou em qualquer outra actividade que seja praticada por seres humanos. A questão é: a quem interessa este tipo de frases?
Na minha opinião, só serve aos piores políticos. Porque não, os políticos não são todos iguais, como nós não somos todos iguais. Nem dentro do mesmo país, nem dentro do mesmo partido, nem dentro da mesma casa, as pessoas são diferentes. Faz parte da condição humana. Ainda não somos todos clones, não pensamos nem agimos todos da mesma forma.
Ao assumirmos que são todos iguais, então passará a ser-nos indiferente ter X, Y ou Z à frente dos destinos de um país, abrindo caminho para que certas personagens, a quem não devíamos confiar sequer uma nota de 5€, possam governar a seu bel-prazer. Junta-se a isto outra expressão comum "como se os outros fizessem melhor, queres ver?"
Ultimamente, tenho lido bastantes vezes esta frase em relação ao ex-primeiro ministro, "eng." José Sócrates, chegando-se a dizer que não devia ser investigado/julgado/preso porque "há muitos como ele, se vai ele tinham que ir todos". Um princípio perigoso e que implicaria que não se prendesse qualquer violador ou assassino, dado que há muitos outros a praticar os mesmos crimes.

E, se me parece relativamente unânime afirmar que existem muitos políticos maus neste país, tenho para mim que o cliente da cela 44 do Estabelecimento Prisional de Évora se encontra num patamar à parte, para a realidade nacional. Há muito político com quem não simpatizo, há muitos outros que considero incompetentes, mentirosos e até corruptos. E depois há Sócrates, que foi/é todas essas coisas, mas em formato XXL e que teve (tem?) poder para fazer reais estragos a um nível que nos afecta a todos. Estragos que nos hipotecaram o futuro para muitos anos.... e é por isso que achar que falar dele é perda de tempo ou um caso de psiquiatria é abrir as portas a repetir um qualquer Sócrates, com aquelas cores partidárias ou outras, assim a (falta de) memória o permita!

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Representatividade – A Questão da Validade do Voto em Branco por Nuno Altavilla Sousa no Instituto Ludwig Von Mises, Portugal

Vou deixar-vos um excerto deste artigo do site INSTITUTO LUDWIG VON MISES, PORTUGAL . Mas carreguem no link anterior e vão ler tudo. Subscrevo na íntegra.

Antes de mais nada: sou fortemente a favor de consequências eleitorais para o voto em branco.
A saber, assento parlamentar para os votos em branco e repetição de eleições em caso de vitória dos “brancos”.
Temos neste momento um problema grave na nossa democracia, que é o da falta de representatividade.
Todas as democracias têm esse problema, em maior ou menor grau, visto não ser possível (ou praticável) um parlamento onde tenham assento todos os eleitores. Porém, é possível melhorar a actual representatividade da Assembleia da República.
Em todas as eleições há diversos tipos de eleitores:
1) Os que acreditam que determinado candidato é a melhor opção (sejam quais forem as suas motivações).
2) Os que votam no candidato menos mau (porque as alternativas são bem piores).
3) Os que, não acreditando em nenhum dos candidatos (ou no acto eleitoral em si), mesmo que por diferentes razões, se abstêm ou votam em branco (o que, actualmente, vem dar ao mesmo).
4) Os que, não acreditando em nenhum dos candidatos (ou no acto eleitoral em si), votam no que lhes parece ser o pior candidato (ver “Tiririca”). Normalmente na convicção de que não será eleito para nada, mas também, possivelmente, numa de “quanto mais rápido isto for ao charco, mais depressa aparecerá uma solução alternativa”.
5) Os que se abstêm por motivos de força maior (como um acidente pessoal, por exemplo).
6) Os que se abstêm por acharem que não devem opinar sobre determinado assunto.
6.1) Por acharem que não têm informação suficiente para formar uma opinião.
6.2) Por terem outras prioridades (que não motivos de força maior) em dias de eleições.
6.3) Por ser uma eleição/referendo sobre um assunto sobre o qual acham que a sua opinião não é relevante (sendo adepto do FC Porto, não me passa pela cabeça votar em eleições de outros clubes, mesmo que o pudesse fazer).
6.4) Por não se julgarem capazes de ter opinião sobre determinado assunto.
Começando pelo fim, os do P.6, agradeço que não votem. É o melhor que têm a fazer.
Estes eleitores só votam se forem obrigados a tal e essa é uma das razões (entre várias) pela qual sou contra a obrigatoriedade do voto.
Relativamente aos tipos de eleitor mencionados nos pontos 1, 2, 4 e 5, concorde ou não com as razões de cada um, considero-as válidas.
O ponto fulcral é o 3º.
Não considero aceitável que um voto em branco de quem acha não se sentir representado por qualquer das propostas eleitorais, valha o mesmo que uma abstenção (como as descritas no P.6). É UMA INJUSTIÇA TREMENDA.
A nossa classe política não se está sempre a queixar da elevada abstenção? Provavelmente, muitos dos do P.3 que se abstêm, iriam votar se o voto em branco não fosse a inutilidade que é.
Terão medo de um voto em branco a contar? Alguns sim: há muita gente neste mundo com medo de eleições livres e representativas. Aliás, o truque mais comum para forjar eleições é o de limitar as opções à disposição dos eleitores (em certos sítios até só há uma opção possível).

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Entre a desconfiança e o desinteresse: A abstenção eleitoral nas democracias

Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes.
Por João Bernardo

Os inquéritos sociológicos indicam que a maioria dos participantes em eleições não se ilude quanto à eficácia do sufrágio, por isso vota mais contra um partido ou um candidato do que a favor de outro partido ou de outro candidato. Quer estas pessoas sejam de esquerda ou de direita ou de lugar nenhum, ir pregar-lhes que as eleições são um logro é chover no molhado. Para evocar um exemplo do outro lado do mundo, recordo que nas eleições legislativas realizadas em Madagáscar em 1989 contaram-se cerca de 40% de abstenções, o que a oposição considerou uma vitória, visto que lançara um apelo nesse sentido. Mas como esta taxa de abstenção não parece superior à de outros países onde as oposições apelam à participação no voto, veremos neste artigo que com ou sem propaganda abstencionista não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa. Com efeito, serão raros aqueles que julgam que podem mudar o mundo através do voto. [...] Quaisquer que sejam os espaços possíveis de obter através dos resultados eleitorais, o facto decisivo, a meu ver, consiste na enorme taxa de abstenções.
[...]
É interessante considerar que uma percentagem muito significativa de pessoas prefere mostrar a sua descrença pela democracia representativa pura e simplesmente não votando, em vez de eleger os candidatos de extrema-esquerda que se apresentam em plataformas críticas dessa democracia representativa. A desconfiança atinge todos os que participam nos processos eleitorais, quaisquer que sejam as suas ideologias e o teor dos seus discursos. E assim o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade das democracias. Basta uma aritmética rudimentar para constatarmos que, com 1/3 de abstencionistas, que é uma percentagem bastante comum, o candidato ou o partido que obtenham metade dos votos conseguirão, afinal, o sufrágio de apenas 1/3 do eleitorado. Mesmo quando o número de abstencionistas se reduz a 1/4, o que pode ser considerado como uma taxa de participação elevada, quem alcance metade dos votos conta apenas com 37,5% de aprovação. Que grandes vitórias! Esta perda de legitimidade das democracias não é certamente alheia ao reforço da fiscalização dos gestos mais comuns do dia-a-dia, através dos meios electrónicos de vigilância. O que tem afinal ocorrido é a transformação gradual das democracias representativas em autoritarismos tecnocráticos, e o crescimento das abstenções é um indício deste processo.

Excertos de de um artigo de João Bernardo de Março de 2009

quarta-feira, março 26, 2014

Melhorar a democracia

Nas notícias de hoje:

Rio defende que votos brancos e nulos devem reflectir-se no Parlamento


Concordo totalmente e era a única forma de percebermos até que ponto as pessoas se interessam ou não pelos destinos do país! porque os brancos e nulos valerem tanto como a abstenção leva a que as pessoas que não querem votar em ninguém nem se dêem ao trabalho de sair de casa (e muito bem, pois na prática vai dar ao mesmo).