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segunda-feira, dezembro 10, 2007

O maravilhoso mundo da medicina #9 - Os poderes curativos do mercúrio

Deste há muitos séculos que um dos materiais naturais que mais encanta e fascina o homem é o mercúrio. Tanto assim é que as mentes iluminadas do antigamente se convenceram que um material com propriedades tão invulgares teria necessariamente de ser utilizado nas artes médicas para curar...pronto, praticamente tudo. Assim, a dada altura, se alguém arranhava o joelho, esfregava-o com mercúrio. Se tinha prisão de ventre, um pouco de mercúrio na comida devia ajudar. E por aí fora...
O que escapava a estes visionários da medicina era que o tal metal líquido e brilhante é imensamente tóxico, e o envenenamento por mercúrio administrado para curar pessoas doentes continuou ao longo de muitos séculos. Chegou mesmo a falar-se de uma Síndrome de Fígado Prateado, tão violenta quem a ingestão do fantástico mercúrio conseguia curar. Claro que a razão pela qual o fígado do paciente estava prateado era o nível elevadíssimo de redentor mercúrio aí contido. Pormenores!

No entanto, o uso indiscriminado de mercúrio teve um papel determinante ao prevenir a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. Na realidade, o mercúrio era uma cura para a sífilis por, todas as pessoas que eram "curadas" com este metal deixavam de poder transmitir a terrível doença...para toda a eternidade!

sexta-feira, novembro 30, 2007

O maravilhoso mundo da medicina #10 - Xaropes Reconfortantes para Crianças

No século XIX, quando uma criança era desobediente e irrequieta, e como os pais tinham mais que fazer, inventou-se uma série de xaropes, comprimidos e pós reconfortantes, para uso nos pequenos mais reguilas. E de que eram compostos estes medicamentos maravilhosos? Pois, ao melhor estilo de um conhecido casal de turistas ingleses, os ditos medicamentos continham a maior dose de narcóticos que uma criança pudesse suportar. Um exemplo, o Xarope Reconfortante da Sra. Mcaa...perdão, Sra. Winslow, continha 65 mg de morfina pura. Só em 1910 se chegou à conclusão de que talvez fosse demasiado, dado que estes xaropes continham combinações variáveis de elementos como sulfato de morfina, clorofórmio, hidrocloreto de morfina, codeína, heroína, ópio ou cannabis.

À custa deste tratamento, as crianças não só ficavam mais dóceis e calmas, como por vezes deixavam de dar problemas de vez, dado que muitas acabavam por falecer.